domingo, 22 de fevereiro de 2015

Amorosa Soledad (Argentina, 2008)

Amorosa Soledad é um filme sobre cotidiano. Pelo menos foi essa a impressão que me passou. Um filme extremamente rotineiro, esperamos um ponto de virada que não chega. Não que isso seja ruim, há certa importância em retratar a rotina e a realidade com os mesmos acontecimentos e ritmos da vida. 
Ainda mais quando acompanhamos a rotina e a vida de uma mulher rica, profissionalmente estável e bem sucedida. Os cotidianos que costumamos acompanhar no cinema são masculinos, então, simplesmente por acompanhar a vida de Soledad, esse filme já se difere bastante.


A protagonista é vivida por Inés Efron, é o segundo filme com ela aqui no blog. Se não me engano, também é o segundo filme com o Ricardo Darín. Também é o segundo filme que vejo em que Efron faz papel de filha de Darín. Não que isso seja muito importante, só achei legal a curiosidade.
Gostei do filme, apesar de estar muito dispersa enquanto assistia. O problema de ficar só mostrando a rotina de uma pessoa é que acaba ficando difícil manter a atenção. O filme é um pouco previsível também.


Gostei muito da atuação de Efron, curto ela cada vez mais. É uma atriz muito versátil, sou fã desde que vi XXY, excelente filme argentino. Acho que a boa atuação não sustenta o filme. Se a intenção era mostrar a solidão, conseguiu bem, mas o tédio muitas vezes caminha junto com a vida solitária. E acho que é isso que Soledad percebe ao decorrer do filme que a faz quebrar o voto de solidão. 
Sinceramente gostaria de rever esse filme com mais paciência, provavelmente não o farei. É um filme legal, mas não está entre os filmes que eu indicaria, assim de primeira, para quem quer conhecer o cinema argentino. 
Bom, agora será um por semana. Espero que dessa forma tenha mais tempo para fazer análises mais profundas. Sei que nos últimos posts tenho perdido um pouco o fio. Muita coisa acontecendo acaba contribuindo para isso. Perdão. Com mais tempo, escreverei com mais qualidade.
Até logo.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Los colores de la montaña (Colombia, 2010)

Primeiro filme Colombiano que assisti. Esse filme tenta explicar de forma simples a complexa situação de um pequeno vilarejo dividido entre a guerrilha armada popular e o exército. Uma das coisas que eu achei mais interessantes no filme foi o fato de nunca explicarem quem é "bom" ou "mal", nem o motivo de precisar existir uma guerrilha, nem porque o exército está ali. Gostei disso porque o protagonista é uma criança de 9 ou 10 anos que não entende muito bem o contexto no qual está inserida, então, deixar a situação pouco explicada é uma forma de forçar as espectadoras a entrarem no universo infantil de Manuel. 


Manuel e seus amigos gostam muito de jogar futebol, ele é o dono de uma velha bola que as crianças usam. Em seu aniversário, ganha do pai uma bola nova. Assim que vão estrear, a bola é chutada para fora do campo, num lugar em que as crianças descobrem ser um campo minado. Manuel, então, pede a ajuda dos melhores amigos para recuperar a bola e poderem jogar novamente.
Enquanto o principal problema das crianças é esse, o clima de conflito está cada vez mais presente no vilarejo. Em alumas áreas, as pessoas já estão evacuando suas casas. A professora nova da escola se vê apenas com duas opções: calar-se diante dos atos de violência ou ir embora junto com os outros. O filme é uma ficção, mas ganhou espaço por retratar a realidade de muitos colombianos que sofreram com conflitos armados no país desde 1948.


O filme denuncia a situação de violência que as crianças são obrigadas a viver. Não só pelo conflito armado, mas há também muitas situações de homens violentos com mulheres e adultos violentos com crianças. É uma realidade quase completamente cruel, mas as crianças se apresentam como uma esperança de mudar esse panorama, mesmo que de seja um processo lento e muito difícil. Isso porque as crianças aprendem com os adultos e a professora, única adulta disposta a modificar a situação, é obrigada a abandonar a escola. 


O diretor do filme é Carlos Arbelaez, gostei muito da perspectiva infantil que ele conseguiu dar para o filme sem ridicularizar ou rebaixar os pontos de vista e ideias das crianças. Foi um filme que alcançou minhas expectativas em relação ao cinema colombiano. É muito bom, tem um enredo simples muito bem executado e é um filme marcante. Achei uma boa porta de entrada para o universo cinematográfico colombiano, que pretendo conhecer melhor. Recomendo muito esse longa.esquema de um filme por semana. Espero que gostem!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Azul y no tan rosa (Venezuela, 2012)

Esse é um filme que se vende pela temática homossexual, mas para mim é bem mais forte na questão de relacionamento entre pai e filho. É um filme que trata de muitos temas polêmicos: tem como protagonista um homossexual, fala sobre relacionamentos a distância, sobre a transsexualidade, sobre aborto e sobre violência de gênero. Porém sem se aprofundar muito em nenhum desses temas. 


Dos temas que citei, o que mais é aprofundado é o da homossexualidade, entrando um pouco na parte de agressão gratuita aos homossexuais. A beleza do filme está no tratamento que dá à paternidade e ao esforço de um pai para reforçar os laços e recuperar o carinho do filho, mesmo vivendo um momento completamente conturbado.
Foi o primeiro venezuelano que assisti. Não achei surpreendente. É um filme muito bom, desconstrói algumas (não todas, só algumas) ideias preconceituosas com um pouco de bom humor, mas não foge muito dos clichês cinematográficos.


No mais, é um filme bem simples.Gostei de ter assistido e de ver que há uma visibilidade a homossexualidade em outros países latino americanos (aqui no blog o tema já apareceu algumas vezes em Contracorriente, Plata quemada, Fresa y chocolate e um pouco menos explícito em Miss TacurembóY tu mamá también), mas esse longa me deixou com a triste impressão de que a Venezuela é um país ainda bastante homofóbico. Também é triste ver que, em todos esses filmes, só aparecem homossexuais homens. Ainda não encontrei filmes que abordassem a temática lésbica.
Na verdade, os acontecimentos do filme relacionados à homossexualidade são todos um pouco melancólicos. No começo parece que vai ser um filme de amor e, de uma hora para outra, tudo começa a desandar. Gostei muito da introdução com a dança e o parto. Foi uma forma bela e simples de apresentar as personagens. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Alsino y el cóndor (Nicaragua, 1982)

Retomando os trabalhos, hoje eu assisti Alsino e o Condor. É um filme que encontrei por acaso no making off e tem produção de Nicarágua, Costa Rica, México e Cuba, mas o diretor é o chileno Miguel Littín. Foi rodado na Nicarágua, conta a história de um menino de aproximadamente dez anos que sonha em voar. O contexto é de guerra civil entre rebeldes de ideologia socialista/comunista os militares da própria Nicarágua.


Nesse contexto, militares estadunidenses chegam para "impor a ordem". Um momento do filme que me incomodou bastante foi quando o principal tenente yanke dá uma bela bronca no prefeito da cidade, falando sobre paz e reprimindo os assassinatos que aquele cometeu. Bom, isso me deixou realmente bolada por um tempo, fiquei incomodada com um filme da latino americano, mais precisamente da América Central, retratando os soldados dos Estados Unidos como heróis salvadores da pátria. 
Lógico que isso estava muito estranho e não durou muito tempo, pouco depois o exército estadunidense começou a levar qualquer aglomeração de pessoas até um rio para executá-las. 
E no meio disso tudo está Alsino. O menino vive num vilarejo distante da cidade e sonha em voar. Por um momento fica encantado com o falso discurso de paz do soldado dos Estados Unidos, mas logo percebe a hipocrisia e a falsidade espalhadas pelo exército, que prega a paz, mas devasta as vidas pacatas daquela pequena cidade. 


É um filme belo, porém muito triste em seu desenvolvimento. É bastante real, mas eu não sei nada mesmo sobre guerras e intervenções estrangeiras na Nicarágua. A fotografia é simples, mas reveladora. Tem momentos em que a luz do sol estoura na tela, dando uma ideia de calor, infância e conforto. O que eu realmente gostaria de destacar é a edição de Miriam Talavera. Fiquei encantada em vários momentos, mas um em específico, quando Alsino sai num vendaval, merece ser comentado. Nessa cena, há uma sobreposição de imagens bastante precisa que gera a impressão de que a criaça está andando em meio à plameiras que balançam com o vento. É belíssimo. 


O final do filme é muito empolgante, animador e passa muita segurança e paz. É apenas na última fala do longa metragem que o filme se posiciona politicamente de forma direta (apesar de já dar dicas sobre esse posicionamento ao longo da história). 
Eu confesso que, de primeira, achei o longa um pouco esquisito. Bom, bastante esquisito para falar a verdade. Acho que ele utiliza alguns simbolismos que não me são familiares. Os outros, que eu já conhecia, foram utilizados muito bem. Gostei muito das metáforas, como a do condor, a de Amsterdã e algumas outras. 
Com certeza recomendo a todos que assistam a esse filme. É um ponto de vista diferente dos que costumamos ver no cinema. E mesmo assim, as cenas de guerra, de explosões e tiros possuem uma produção que, pela época, facilmente se utilizaria em qualquer filme hollywoodano.
É muito interessante mostrar a visão de uma criança em relação à guerra. E mais interessante ainda dar enfoque aos sonhos dessa criança para revelar os contrastes do momento que ela está vivendo. Alsino e o Condor é um filme tocante, cheio de sensibilidade, mas também muito forte, cru e realista.

P.S.: assisti a uma versão colorida do filme, mas só encontrei imagens em preto e branco na internet. Provavelmente, foi colorido depois. Também me pareceu que foi dublado, em alguns momentos. Eu realmente não conheço a história do cinema na Nicarágua (nem do país em geral, na verdade), mas me parece aceitável que não trabalhassem com som direto em 82.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Plata quemada (Argentina/Uruguay, 2000)

Baseada em fatos reais, essa co-produção entre Argentina e Uruguai é um filme policial dramático e romântico, mas também repleto de ação. E ação das boas. Li comentários em um fórum dizendo que esse é "o Bonnie e Clyde latino americano" e confesso que tinha achado exagero, mas agora que assisti entendo e até concordo em parte com a afirmação.


O filme começa bem parecido com um filme policial qualquer: o plano, o roubo, a coisa que não saiu exatamente como o planejado, as consequências. O filme tem, é claro, a diferença escrachada e facilmente perceptível de ter um casal homossexual como protagonistas. Mas, de forma alguma, é isso que torna o filme autêntico, diferente dos outros que seguem esse enredo comum. 
As personagens são muito bem construídas e muito bem apresentadas. O desenrolar da história chega a ser quase engraçado de tão grande que é o efeito dominó que o roubou gera. O mais interessante certamente são as características psicológicas das personagens que, sem exagerar ou puxar para a sexualidade, mostra o quão complexa e profunda pode ser a mente humana. O contraditório é que mesmo sem apelar para a sexualidade, o longa também mostra que somos seres extremamente sexuais. 


O filme tem muitos planos marcantes e cenas lindas. Algumas das cenas finais são de tirar o fôlego. Mesmo. Daquelas que você torce, fica apreensiva. Espera logo um desfecho, qualquer que seja, porque você mesma não consegue imaginar nenhuma solução cinematográfica razoável para o que está acontecendo. Mas Marcelo Piñeyro, diretor, cria desfechos espetaculares, sem entregar o que virá a seguir. 
O filme é surpreendente. E flui tão bem que fiquei até triste de ele ter acabado. Poderia ter ficado mais umas boas horas com um ritmo e enredo tão agradáveis. Não sei muito o que falar de um filme tão bom. Acho criticar negativamente filmes mais fácil que falar positivamente deles. Porque no positivo só consigo pensar em encher de elogios e, enquanto estou assistindo, fico tão encantada que não consigo captar o porquê de serem tão bons. Esse é um longa metragem incrível. Gostei bastante.
Bom, passou de meia noite enquanto escrevia, mas esse ainda é o de sábado (pagando o de sexta) e amanhã posto um bônus por causa do atraso de quinta. Acho que semana que vem é a última das minhas aulas de espanhol, isso significa também que vou reduzir a frequência de postagens. Uma por semana até eu me acostumar com a rotina nova. E quando as aulas de espanhol voltarem, vou fazer duas por semana, nos dias que eu tiver aula. Boa noite.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Como agua para chocolate (México, 1992)

Como Água Para Chocolate é um filme mexicano dirigido por Alfonso Arau e escrito por Laura Esquivel, autora de um livro homônimo que foi grande sucesso no México. Não imagino como o romance possa ser, mas o filme é simplesmente excelente. Uma história que ficou tão perfeitamente adaptada para a linguagem cinematográfica que fica até difícil acreditar que tenha sido pensada para outra plataforma.
Existe toda uma relação especial da protagonista com a culinária e a cozinha em geral, mas mesmo assim até agora eu não consegui sacar de qual é a do nome do filme. Talvez seja alguma expressão da língua espanhola que eu não conheço. Para mim ficou parecendo um título ruim para um filme tão bom.


A narradora conta história de sua tia-avó, Tita, que, por ser a mais nova das filhas de Elena, é obrigada a cuidar da mãe e não pode se casar. As duas atrizes, Lumi Cavazos no papel de Tita e Regina Torné no papel de Elena, encarnam muito bem os sentimentos de repressão, medo, solidão e melancolia. Também destaco a atuação de Ada Carrasco, como Nacha, a empregada da cozinha que cria Tita. 
É um filme bastante dramático e emocional. Mostra o poder do desejo e os perigos de reprimi-lo. Mais uma vez, o cinema mexicano me surpreende em termos de inovações na linguagem. A introdução do filme já traz logo de cara uma quebra de quarta parede. E, durante o filme, muitas situações visualmente inusitadas tornam a experiência de assistir esse longa metragem mais prazerosa. Gostei muito das metáforas usadas para abordar a libertação sexual feminina, principalmente daquela que conta a história de Gertrudes, uma das irmãs de Tita.


Apesar de muito sofrimento, o filme traz várias mensagens de esperança e, principalmente, de força feminina. Mostra, sutilmente, como mulheres são criadas para não se darem bem umas com as outras, mas mostra, explicitamente, também como isso pode ser contornado e como a união feminina é poderosa. E esses não são os temas do filme.
Mesmo com todo esse empoderamento das mulheres, o filme ainda reforça a importância do amor Romântico e do casamento na nossa sociedade. Sempre falando sobre a importância do casamento com quem se ama, da maternidade e dos dotes caseiros (saber cozinhar, saber cuidar do lar etc.) para as mulheres. O que é compreensível por ser um que se passa no México dos anos 1920/1930. 
Está ficando cada vez mais difícil escolher qual dos filmes é o meu preferido do blog, mas garanto que esse entra na lista dos cinco melhores. Fiquei feliz, sorrindo à toa feito criança enquanto assistia. Recomendo muitíssimo! 


Bom, agora vamos a parte chata: ontem eu não postei. Na verdade, assisti esse filme ontem, mas acabei sem tempo. Não sei se falei aqui, mas fui furtada, então ontem fui resolver alguns problemas com documentos e bloquear meu chip de celular. No fim das contas ainda não consegui ficar livre de nenhum dos problemas e vou precisar correr atrás dessas coisas semana que vem de novo. 
Também comprei algumas roupas novas para trabalhar e gastei um grande tempo separando roupas para doar, já que quando entra alguma peça de roupa nova, eu sempre me desfaço de duas antigas.  
Enfim, foi um grande vacilo, perdão, mas para compensar vou postar sobre o filme de hoje amanhã e fazer um post extra no domingo. Espero que curtam.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

La Niña Santa (Argentina, 2004)

Esse é um filme sobre abuso sexual/estupro e o deturpamento que a Igreja como instituição causa nas vítimas desse crime. Achei difícil de assistir, não por ser um filme ruim, mas por ser um tema denso e que me toca muito. 
É o segundo filme da Lucrecia Martel que assisto (o primeiro foi A Mulher Sem Cabeça) e reforço a sensibilidade e delicadeza que ela tem para tratar temas tão pesados.


Uma menina muito religiosa é molestada (mais de uma vez) por um médico. A mãe dela, não tão religiosa assim, está se apaixonando por esse mesmo médico sem saber dos abusos. A menina não quer contar à mãe sobre isso e, pior, entende o ato como um chamado de deus para salvar o tal médico. Só pela sinopse já dá para perceber que não é um filme fácil. 
Esse longa metragem é bem mais metafórico que A Mulher Sem Cabeça, mas ainda assim, achei um filme melhor. Martel usa muitos enquadramentos incomuns e mostra as personagens através de portas entreabertas ou atrás de paredes, dando uma ideia muito visual de como a personagem abusada está desorientada e perdida. 


Uma das sacadas mais geniais do filme, para mim, foi o final. Não se pode chamar de desfecho porque, assim como na maioria dos casos de estupro e abuso sexual, não há uma conclusão de verdade. Não sabemos o que acontecerá com o médico nem como a menina seguirá sua vida ou o que a mãe fará a respeito de tudo isso. Mas sentimos o choque da notícia revelada. Sentimos a dor e a angústia da menina. Sentimos o asco que toda vítima desses crimes sente por seu abusador. A figura do médico molestador ficou muito bem representada, gerando nojo e repulsa a cada vez que aparece em cena. 


Uma outra coisa que chama muita atenção no longa é o pano de fundo religioso. Existe uma crítica silenciosa a instituição católica que é muito precisa. Mostra as pontas soltas dessa religião tão agressiva, mostra como é uma religião que desestimula a busca pelo conhecimento e mostra também como isso interfere de maneira negativa na vida de quem se dedica ao princípios que o catolicismo cego impõe.
Além de toda essa parte negativa, é um filme que também aborda temas como a amizade e o amor familiar de forma positiva. Só que esses não são assuntos principais. Com certeza é uma película inquietante e que vale a pena ser vista. 
Além dos ângulos e enquadramentos diferentes que já citei, não tem muita novidade técnica. O longa termina com muitas reflexões jogadas para as espectadoras, mas não são justamente os filmes bons aqueles que nos fazem pensar? Para quem acredita nisso, esse filme é excelente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Yo soy sola (Argentina, 2008)

Yo soy sola é um filme que conta as diferentes histórias de quatro mulheres. Foi indicação muito boa, fiquei muito empolgada para assistir, mas assim que entrei no Netflix, li alguns comentários negativos sobre o filme. Os que mais me incomodaram foram alguns dizendo que o longa só reforça a ideia de que toda mulher quer se casar. 
Depois de assistir, reforcei minha opinião de que as pessoas no Netflix fazem análises muito superficiais sobre o que assistem e de que posso confiar nas indicações de pessoas que admiro. O filme mostra, na verdade, as dificuldades e os problemas que mulheres adultas enfrentam cotidianamente. Também me pareceu muito mais uma crítica à imposição do matrimônio e da maternidade feita às mulheres que um reforço dessa imposição. 


Tenho notado que esse estilo de histórias paralelas tem se repetido no cinema argentino contemporâneo. E que muitos filmes bons têm saído desse estilo, como Relatos Selvagens (indicado ao Oscar) e O que Pensam os Homens. Aliás, esse último é bem parecido com Yo soy sola, mas com homens como protagonistas. 
Todas as histórias são muito sensíveis, no sentido de captar de maneira muito fiel sentimentos e angústias difíceis de expressar, mas são também muito fortes ao mostrar como todas essas mulheres seguem suas vidas e enfrentam seus problemas apesar de todas as adversidades. A única crítica que faço é de que, realmente, todas as questões colocadas em jogo no filme são afetivas.


A primeira história foi a com que mais me identifiquei, talvez porque seja a que mais mostra outros aspectos da vida feminina que não o afetivo. Me pareceu mais completa que as outras, mais interessante e um pouco mais verossímil. Ainda assim, todas as histórias me pareceram muito sinceras. A introdução do longa metragem também é muito interessante.
Achei um filme leve e divertido, gostei muito de alguns reenquadramentos e mudanças de foco que ajudam a dar fluidez e ritmo, mas tirando isso não reparei em muitas outras inovações técnicas. O que não quer dizer que o filme não seja bem feito, ele é. Destaco também a direção de arte, de Anna Carnovale, que fez um trabalho detalhado com cores muito bem pensadas e cenários bem construídos.
Por fim, as histórias se complementam, mas não se completam. Cada um delas poderia muito bem dar um filme único e isso foi um grande acerto da roteirista e diretora Tatiana Mereñuk. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Querida, voy a comprar cigarrillos y vuelvo (Argentina, 2011)

Ousaria dizer que Querida, Vou Comprar Cigarros e Já Volto foi o melhor filme argentino que já assisti, mesmo contando os filmes que vi antes do blog. Dirigido por Mariano Cohn e Gastón Duprat esse filme é criativo, inusitado e apresenta uma estética bem diferente das habituais.


A introdução do filme é simplesmente genial e já me conquistou logo de início. E o desenrolar do filme não decepciona, conta a história de um homem que tem a chance de voltar no tempo e reviver dez anos de sua vida para ganhar um milhão de dólares. 
Eu não destacaria tanto as atuações, mas a linguagem e o enredo são incríveis e compensam. Não que as atuações sejam ruins também, mas a história é tão boa e as intervenções do autor do conto que inspirou o filme são tão certeiras que acabam encobrindo outros aspectos. 


Foi muito prazeroso assistir a esse filme, hoje eu acordei um pouco mal, com dor de garganta, dor de cabeça e febre. O longa metragem foi a alegria do meu dia, até me animou um pouquinho, mas ainda não estou bem. Com certeza teria mas um milhão de coisas para dizer sobre esse filme, mas como estou muito desgastada com as dores, vou falar do simbolismo que mais me encantou:o jabuti que aparece em todos os tempos do filme. Achei a simbologia muito direta e também acho que ela ajuda as espectadoras a não se perderem na confusão temporal que acontece.
Enfim, já está tarde e amanhã ainda vou ter de fazer várias coisas com essa garganta meio ruim, a febre está diminuindo. Espero melhorar logo, mas de qualquer jeito vou continuar assistindo os filmes e escrevendo aqui.