quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Alsino y el cóndor (Nicaragua, 1982)

Retomando os trabalhos, hoje eu assisti Alsino e o Condor. É um filme que encontrei por acaso no making off e tem produção de Nicarágua, Costa Rica, México e Cuba, mas o diretor é o chileno Miguel Littín. Foi rodado na Nicarágua, conta a história de um menino de aproximadamente dez anos que sonha em voar. O contexto é de guerra civil entre rebeldes de ideologia socialista/comunista os militares da própria Nicarágua.


Nesse contexto, militares estadunidenses chegam para "impor a ordem". Um momento do filme que me incomodou bastante foi quando o principal tenente yanke dá uma bela bronca no prefeito da cidade, falando sobre paz e reprimindo os assassinatos que aquele cometeu. Bom, isso me deixou realmente bolada por um tempo, fiquei incomodada com um filme da latino americano, mais precisamente da América Central, retratando os soldados dos Estados Unidos como heróis salvadores da pátria. 
Lógico que isso estava muito estranho e não durou muito tempo, pouco depois o exército estadunidense começou a levar qualquer aglomeração de pessoas até um rio para executá-las. 
E no meio disso tudo está Alsino. O menino vive num vilarejo distante da cidade e sonha em voar. Por um momento fica encantado com o falso discurso de paz do soldado dos Estados Unidos, mas logo percebe a hipocrisia e a falsidade espalhadas pelo exército, que prega a paz, mas devasta as vidas pacatas daquela pequena cidade. 


É um filme belo, porém muito triste em seu desenvolvimento. É bastante real, mas eu não sei nada mesmo sobre guerras e intervenções estrangeiras na Nicarágua. A fotografia é simples, mas reveladora. Tem momentos em que a luz do sol estoura na tela, dando uma ideia de calor, infância e conforto. O que eu realmente gostaria de destacar é a edição de Miriam Talavera. Fiquei encantada em vários momentos, mas um em específico, quando Alsino sai num vendaval, merece ser comentado. Nessa cena, há uma sobreposição de imagens bastante precisa que gera a impressão de que a criaça está andando em meio à plameiras que balançam com o vento. É belíssimo. 


O final do filme é muito empolgante, animador e passa muita segurança e paz. É apenas na última fala do longa metragem que o filme se posiciona politicamente de forma direta (apesar de já dar dicas sobre esse posicionamento ao longo da história). 
Eu confesso que, de primeira, achei o longa um pouco esquisito. Bom, bastante esquisito para falar a verdade. Acho que ele utiliza alguns simbolismos que não me são familiares. Os outros, que eu já conhecia, foram utilizados muito bem. Gostei muito das metáforas, como a do condor, a de Amsterdã e algumas outras. 
Com certeza recomendo a todos que assistam a esse filme. É um ponto de vista diferente dos que costumamos ver no cinema. E mesmo assim, as cenas de guerra, de explosões e tiros possuem uma produção que, pela época, facilmente se utilizaria em qualquer filme hollywoodano.
É muito interessante mostrar a visão de uma criança em relação à guerra. E mais interessante ainda dar enfoque aos sonhos dessa criança para revelar os contrastes do momento que ela está vivendo. Alsino e o Condor é um filme tocante, cheio de sensibilidade, mas também muito forte, cru e realista.

P.S.: assisti a uma versão colorida do filme, mas só encontrei imagens em preto e branco na internet. Provavelmente, foi colorido depois. Também me pareceu que foi dublado, em alguns momentos. Eu realmente não conheço a história do cinema na Nicarágua (nem do país em geral, na verdade), mas me parece aceitável que não trabalhassem com som direto em 82.

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