Tive a oportunidade de assistir a esse filme em um evento promovido pela Embaixada do Paraguai. Foi bem legal, teve um bolo (de aniversário de independência do Paraguai) depois do filme. E antes do bolo, uma conversa bem leve com o diretor, Jorge Bedoya, e o produtor executivo do filme, Gaspar Zaldivar. Este último me causou um misto de empolgação e desânimo simplesmente por ser mias novo que eu.
Esse filme é uma comédia um pouco irônica e bastante escrachada. Brinca com vários esteriótipos, desde o comércio ilegal de órgãos de turistas até à violência desnecessária do tráfico. Confesso que fiquei um pouco triste de precisar ouvir a voz de apoia à legalização da cannabis vinda de um estadunidense.
Os atores estão muito bem em seus papéis. No evento, Bedoya revelou que o processo de construção das personagens foi muito aberto, com bastante participação e sugestão dos atores. Isso realmente deixou as personagens espontâneas e os diálogos estão bem fluídos também. Destaco Javie Enciso, como Gatillo. Um cara que tem todos os trejeitos de um típico paraguaio e consegue cativas o público, mesmo enquanto planeja dar um golpe.
Na verdade, as outras personagens são um pouco escrotas, isso facilita a afeição por Gatillo. Se tem uma crítica que posso fazer é que o filme é maldoso com as aparições femininas, que já são bem escassas. Acho até que um pouco se deve a essa estética caricata e estereotipada do longa.
Achei muito interessante a mescla de idiomas, sotaques e países. O "vilão" da história, por exemplo, é conhecido por Brasiguayo, com falas, gestos e um sotaque portuñol marcantes. Também tem o gringo californiano, vivido pelo ator Nathan Christopher Haase (ele também co-escreveu o roteiro do filme, junto com Bedoya). Não sei qual o envolvimento de Haase com o Paraguai ou a América Latina em geral, mas o ator conseguiu falar um espanhol até aceitável.
Gostei muito de ver, ou melhor, de ouvir guarani no filme. Para quem não sabe, até hoje se fala guarani no Paraguai, mostrar isso no filme deu um tom de realismo que ajudou a equilibrar o humor escancarado, quase grosseiro, do longa-metragem. Outra coisa que gostei muito foi de conhecer a expressão "ndé!". Não sei, por ser uma ficção de humor como já falei, o quanto esse ndé é realmente usado, mas com certeza é o tipo de coisa difícil de aprender só com as aulas de espanhol.
Bom, para não me estender muito, um resumão: curti bastante o filme, apesar de ter me incomodado bastante o modo com as figuras femininas são colocadas. É um filme de humor quase pastelão e que retrata um universo tipicamente masculino mesmo, mas mesmo assim, algumas coisas são totalmente desnecessárias de se satirizar e humorizar. Mas gostei no geral de como o filme se coloca, conseguindo tornar situações bem tensas em engraçadas, com alívios cômicos bem pensados e diálogos muito inteligentes. Não é bom comparar com gringos, mas me até que me lembrou um certo diretor famoso que trabalha bem com violência e diálogos por ai, principalmente na cena em que todos estão sentados à mesa discutindo.
É isso. Acabou. Esse não é o filme que eu estava planejando ver para essa semana. Estava querendo assistir o argentino Perro. Mas como surgiu esse evento em comemoração à Independência do Paraguai e era gratuito, achei que valeria a pena assistir. E realmente valeu. É sempre bom assistir filmes diferentes, novos e de difícil acesso, ainda mais sendo um filme latino (ironicamente vizinho). Também achei bem produtivo o contato, mesmo que distante, com cineastas e trabalhadores da indústria audiovisual latino-americana.
Boa noite e bons filmes!













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