segunda-feira, 18 de maio de 2015

Luna de cigarras (Paraguay, 2014)

Tive a oportunidade de assistir a esse filme em um evento promovido pela Embaixada do Paraguai. Foi bem legal, teve um bolo (de aniversário de independência do Paraguai) depois do filme. E antes do bolo, uma conversa bem leve com o diretor, Jorge Bedoya, e o produtor executivo do filme, Gaspar Zaldivar. Este último me causou um misto de empolgação e desânimo simplesmente por ser mias novo que eu. 


Esse filme é uma comédia um pouco irônica e bastante escrachada. Brinca com vários esteriótipos, desde o comércio ilegal de órgãos de turistas até à violência desnecessária do tráfico. Confesso que fiquei um pouco triste de precisar ouvir a voz de apoia à legalização da cannabis vinda de um estadunidense. 
Os atores estão muito bem em seus papéis. No evento, Bedoya revelou que o processo de construção das personagens foi muito aberto, com bastante participação e sugestão dos atores. Isso realmente deixou as personagens espontâneas e os diálogos estão bem fluídos também. Destaco Javie Enciso, como Gatillo. Um cara que tem todos os trejeitos de um típico paraguaio e consegue cativas o público, mesmo enquanto planeja dar um golpe. 
Na verdade, as  outras personagens são um pouco escrotas, isso facilita a afeição por Gatillo. Se tem uma crítica que posso fazer é que o filme é maldoso com as aparições femininas, que já são bem escassas. Acho até que um pouco se deve a essa estética caricata e estereotipada do longa. 


Achei muito interessante a mescla de idiomas, sotaques e países. O "vilão" da história, por exemplo, é conhecido por Brasiguayo, com falas, gestos e um sotaque portuñol marcantes. Também tem o gringo californiano, vivido pelo ator Nathan Christopher Haase (ele também co-escreveu o roteiro do filme, junto com Bedoya). Não sei qual o envolvimento de Haase com o Paraguai ou a América Latina em geral, mas o ator conseguiu falar um espanhol até aceitável.
Gostei muito de ver, ou melhor, de ouvir guarani no filme. Para quem não sabe, até hoje se fala guarani no Paraguai, mostrar isso no filme deu um tom de realismo que ajudou a equilibrar o humor escancarado, quase grosseiro, do longa-metragem. Outra coisa que gostei muito foi de conhecer a expressão "ndé!". Não sei, por ser uma ficção de humor como já falei, o quanto esse ndé é realmente usado, mas com certeza é o tipo de coisa difícil de aprender só com as aulas de espanhol.



Bom, para não me estender muito, um resumão: curti bastante o filme, apesar de ter me incomodado bastante o modo com as figuras femininas são colocadas. É um filme de humor quase pastelão e que retrata um universo tipicamente masculino mesmo, mas mesmo assim, algumas coisas são totalmente desnecessárias de se satirizar e humorizar. Mas gostei no geral de como o filme se coloca, conseguindo tornar situações  bem tensas em engraçadas, com alívios cômicos bem pensados e diálogos muito inteligentes. Não é bom comparar com gringos, mas me até que me lembrou um certo diretor famoso que trabalha bem com violência e diálogos por ai, principalmente na cena em que todos estão sentados à mesa discutindo.
É isso. Acabou. Esse não é o filme que eu estava planejando ver para essa semana. Estava querendo assistir o argentino Perro. Mas como surgiu esse evento em comemoração à Independência do Paraguai e era gratuito, achei que valeria a pena assistir. E realmente valeu. É sempre bom assistir filmes diferentes, novos e de difícil acesso, ainda mais sendo um filme latino (ironicamente vizinho). Também achei bem produtivo o contato, mesmo que distante, com cineastas e trabalhadores da indústria audiovisual latino-americana. 
Boa noite e bons filmes!

domingo, 10 de maio de 2015

Retorno

Bom, não consegui cumprir a promessa de um filme por dia e desleixei um pouco com o blog. Muitas coisas aconteceram para me impedir, meu antigo notebook pifou pra sempre (e esse chegou a menos de uma semana e já tá dando péssimos sinais, ayudame), alguns assuntos pessoais. Mas enfim, não vim aqui dar desculpa pra ninguém.

As aulas de espanhol voltaram já faz um tempo. Agora elas são na terça e na quinta, não mais todos os dias. A promessa da vez é postar sobre um filme por semana, sem dia definido, a partir da semana que vem. É bem provável que as postagens apareçam só na sexta ou no final de semana, mas não é regra.

Já tenho uma boa indicação para o próximo filme. Sim, é argentino. Ainda aceito e gostaria muito de indicações de filmes latino americanos. De preferência do Paraguai, Cuba, Equador, Venezuela, Bolívia e Colômbia. Pode ser de outros países também, mas desses conheço muito pouco.

Aviso logo que a tendência agora é escrever textos um pouco maiores e um pouco mais livres. Talvez com muito mais "viagens" da minha cabeça e provavelmente muito mais sujeitos à críticas. Espero que sim, pelo menos. Críticas parecem ruins, mas são sempre positivas.

Obrigada pela paciência de quem acompanha e esperou :)

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Amorosa Soledad (Argentina, 2008)

Amorosa Soledad é um filme sobre cotidiano. Pelo menos foi essa a impressão que me passou. Um filme extremamente rotineiro, esperamos um ponto de virada que não chega. Não que isso seja ruim, há certa importância em retratar a rotina e a realidade com os mesmos acontecimentos e ritmos da vida. 
Ainda mais quando acompanhamos a rotina e a vida de uma mulher rica, profissionalmente estável e bem sucedida. Os cotidianos que costumamos acompanhar no cinema são masculinos, então, simplesmente por acompanhar a vida de Soledad, esse filme já se difere bastante.


A protagonista é vivida por Inés Efron, é o segundo filme com ela aqui no blog. Se não me engano, também é o segundo filme com o Ricardo Darín. Também é o segundo filme que vejo em que Efron faz papel de filha de Darín. Não que isso seja muito importante, só achei legal a curiosidade.
Gostei do filme, apesar de estar muito dispersa enquanto assistia. O problema de ficar só mostrando a rotina de uma pessoa é que acaba ficando difícil manter a atenção. O filme é um pouco previsível também.


Gostei muito da atuação de Efron, curto ela cada vez mais. É uma atriz muito versátil, sou fã desde que vi XXY, excelente filme argentino. Acho que a boa atuação não sustenta o filme. Se a intenção era mostrar a solidão, conseguiu bem, mas o tédio muitas vezes caminha junto com a vida solitária. E acho que é isso que Soledad percebe ao decorrer do filme que a faz quebrar o voto de solidão. 
Sinceramente gostaria de rever esse filme com mais paciência, provavelmente não o farei. É um filme legal, mas não está entre os filmes que eu indicaria, assim de primeira, para quem quer conhecer o cinema argentino. 
Bom, agora será um por semana. Espero que dessa forma tenha mais tempo para fazer análises mais profundas. Sei que nos últimos posts tenho perdido um pouco o fio. Muita coisa acontecendo acaba contribuindo para isso. Perdão. Com mais tempo, escreverei com mais qualidade.
Até logo.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Los colores de la montaña (Colombia, 2010)

Primeiro filme Colombiano que assisti. Esse filme tenta explicar de forma simples a complexa situação de um pequeno vilarejo dividido entre a guerrilha armada popular e o exército. Uma das coisas que eu achei mais interessantes no filme foi o fato de nunca explicarem quem é "bom" ou "mal", nem o motivo de precisar existir uma guerrilha, nem porque o exército está ali. Gostei disso porque o protagonista é uma criança de 9 ou 10 anos que não entende muito bem o contexto no qual está inserida, então, deixar a situação pouco explicada é uma forma de forçar as espectadoras a entrarem no universo infantil de Manuel. 


Manuel e seus amigos gostam muito de jogar futebol, ele é o dono de uma velha bola que as crianças usam. Em seu aniversário, ganha do pai uma bola nova. Assim que vão estrear, a bola é chutada para fora do campo, num lugar em que as crianças descobrem ser um campo minado. Manuel, então, pede a ajuda dos melhores amigos para recuperar a bola e poderem jogar novamente.
Enquanto o principal problema das crianças é esse, o clima de conflito está cada vez mais presente no vilarejo. Em alumas áreas, as pessoas já estão evacuando suas casas. A professora nova da escola se vê apenas com duas opções: calar-se diante dos atos de violência ou ir embora junto com os outros. O filme é uma ficção, mas ganhou espaço por retratar a realidade de muitos colombianos que sofreram com conflitos armados no país desde 1948.


O filme denuncia a situação de violência que as crianças são obrigadas a viver. Não só pelo conflito armado, mas há também muitas situações de homens violentos com mulheres e adultos violentos com crianças. É uma realidade quase completamente cruel, mas as crianças se apresentam como uma esperança de mudar esse panorama, mesmo que de seja um processo lento e muito difícil. Isso porque as crianças aprendem com os adultos e a professora, única adulta disposta a modificar a situação, é obrigada a abandonar a escola. 


O diretor do filme é Carlos Arbelaez, gostei muito da perspectiva infantil que ele conseguiu dar para o filme sem ridicularizar ou rebaixar os pontos de vista e ideias das crianças. Foi um filme que alcançou minhas expectativas em relação ao cinema colombiano. É muito bom, tem um enredo simples muito bem executado e é um filme marcante. Achei uma boa porta de entrada para o universo cinematográfico colombiano, que pretendo conhecer melhor. Recomendo muito esse longa.esquema de um filme por semana. Espero que gostem!

sábado, 14 de fevereiro de 2015

Azul y no tan rosa (Venezuela, 2012)

Esse é um filme que se vende pela temática homossexual, mas para mim é bem mais forte na questão de relacionamento entre pai e filho. É um filme que trata de muitos temas polêmicos: tem como protagonista um homossexual, fala sobre relacionamentos a distância, sobre a transsexualidade, sobre aborto e sobre violência de gênero. Porém sem se aprofundar muito em nenhum desses temas. 


Dos temas que citei, o que mais é aprofundado é o da homossexualidade, entrando um pouco na parte de agressão gratuita aos homossexuais. A beleza do filme está no tratamento que dá à paternidade e ao esforço de um pai para reforçar os laços e recuperar o carinho do filho, mesmo vivendo um momento completamente conturbado.
Foi o primeiro venezuelano que assisti. Não achei surpreendente. É um filme muito bom, desconstrói algumas (não todas, só algumas) ideias preconceituosas com um pouco de bom humor, mas não foge muito dos clichês cinematográficos.


No mais, é um filme bem simples.Gostei de ter assistido e de ver que há uma visibilidade a homossexualidade em outros países latino americanos (aqui no blog o tema já apareceu algumas vezes em Contracorriente, Plata quemada, Fresa y chocolate e um pouco menos explícito em Miss TacurembóY tu mamá también), mas esse longa me deixou com a triste impressão de que a Venezuela é um país ainda bastante homofóbico. Também é triste ver que, em todos esses filmes, só aparecem homossexuais homens. Ainda não encontrei filmes que abordassem a temática lésbica.
Na verdade, os acontecimentos do filme relacionados à homossexualidade são todos um pouco melancólicos. No começo parece que vai ser um filme de amor e, de uma hora para outra, tudo começa a desandar. Gostei muito da introdução com a dança e o parto. Foi uma forma bela e simples de apresentar as personagens. 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Alsino y el cóndor (Nicaragua, 1982)

Retomando os trabalhos, hoje eu assisti Alsino e o Condor. É um filme que encontrei por acaso no making off e tem produção de Nicarágua, Costa Rica, México e Cuba, mas o diretor é o chileno Miguel Littín. Foi rodado na Nicarágua, conta a história de um menino de aproximadamente dez anos que sonha em voar. O contexto é de guerra civil entre rebeldes de ideologia socialista/comunista os militares da própria Nicarágua.


Nesse contexto, militares estadunidenses chegam para "impor a ordem". Um momento do filme que me incomodou bastante foi quando o principal tenente yanke dá uma bela bronca no prefeito da cidade, falando sobre paz e reprimindo os assassinatos que aquele cometeu. Bom, isso me deixou realmente bolada por um tempo, fiquei incomodada com um filme da latino americano, mais precisamente da América Central, retratando os soldados dos Estados Unidos como heróis salvadores da pátria. 
Lógico que isso estava muito estranho e não durou muito tempo, pouco depois o exército estadunidense começou a levar qualquer aglomeração de pessoas até um rio para executá-las. 
E no meio disso tudo está Alsino. O menino vive num vilarejo distante da cidade e sonha em voar. Por um momento fica encantado com o falso discurso de paz do soldado dos Estados Unidos, mas logo percebe a hipocrisia e a falsidade espalhadas pelo exército, que prega a paz, mas devasta as vidas pacatas daquela pequena cidade. 


É um filme belo, porém muito triste em seu desenvolvimento. É bastante real, mas eu não sei nada mesmo sobre guerras e intervenções estrangeiras na Nicarágua. A fotografia é simples, mas reveladora. Tem momentos em que a luz do sol estoura na tela, dando uma ideia de calor, infância e conforto. O que eu realmente gostaria de destacar é a edição de Miriam Talavera. Fiquei encantada em vários momentos, mas um em específico, quando Alsino sai num vendaval, merece ser comentado. Nessa cena, há uma sobreposição de imagens bastante precisa que gera a impressão de que a criaça está andando em meio à plameiras que balançam com o vento. É belíssimo. 


O final do filme é muito empolgante, animador e passa muita segurança e paz. É apenas na última fala do longa metragem que o filme se posiciona politicamente de forma direta (apesar de já dar dicas sobre esse posicionamento ao longo da história). 
Eu confesso que, de primeira, achei o longa um pouco esquisito. Bom, bastante esquisito para falar a verdade. Acho que ele utiliza alguns simbolismos que não me são familiares. Os outros, que eu já conhecia, foram utilizados muito bem. Gostei muito das metáforas, como a do condor, a de Amsterdã e algumas outras. 
Com certeza recomendo a todos que assistam a esse filme. É um ponto de vista diferente dos que costumamos ver no cinema. E mesmo assim, as cenas de guerra, de explosões e tiros possuem uma produção que, pela época, facilmente se utilizaria em qualquer filme hollywoodano.
É muito interessante mostrar a visão de uma criança em relação à guerra. E mais interessante ainda dar enfoque aos sonhos dessa criança para revelar os contrastes do momento que ela está vivendo. Alsino e o Condor é um filme tocante, cheio de sensibilidade, mas também muito forte, cru e realista.

P.S.: assisti a uma versão colorida do filme, mas só encontrei imagens em preto e branco na internet. Provavelmente, foi colorido depois. Também me pareceu que foi dublado, em alguns momentos. Eu realmente não conheço a história do cinema na Nicarágua (nem do país em geral, na verdade), mas me parece aceitável que não trabalhassem com som direto em 82.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Plata quemada (Argentina/Uruguay, 2000)

Baseada em fatos reais, essa co-produção entre Argentina e Uruguai é um filme policial dramático e romântico, mas também repleto de ação. E ação das boas. Li comentários em um fórum dizendo que esse é "o Bonnie e Clyde latino americano" e confesso que tinha achado exagero, mas agora que assisti entendo e até concordo em parte com a afirmação.


O filme começa bem parecido com um filme policial qualquer: o plano, o roubo, a coisa que não saiu exatamente como o planejado, as consequências. O filme tem, é claro, a diferença escrachada e facilmente perceptível de ter um casal homossexual como protagonistas. Mas, de forma alguma, é isso que torna o filme autêntico, diferente dos outros que seguem esse enredo comum. 
As personagens são muito bem construídas e muito bem apresentadas. O desenrolar da história chega a ser quase engraçado de tão grande que é o efeito dominó que o roubou gera. O mais interessante certamente são as características psicológicas das personagens que, sem exagerar ou puxar para a sexualidade, mostra o quão complexa e profunda pode ser a mente humana. O contraditório é que mesmo sem apelar para a sexualidade, o longa também mostra que somos seres extremamente sexuais. 


O filme tem muitos planos marcantes e cenas lindas. Algumas das cenas finais são de tirar o fôlego. Mesmo. Daquelas que você torce, fica apreensiva. Espera logo um desfecho, qualquer que seja, porque você mesma não consegue imaginar nenhuma solução cinematográfica razoável para o que está acontecendo. Mas Marcelo Piñeyro, diretor, cria desfechos espetaculares, sem entregar o que virá a seguir. 
O filme é surpreendente. E flui tão bem que fiquei até triste de ele ter acabado. Poderia ter ficado mais umas boas horas com um ritmo e enredo tão agradáveis. Não sei muito o que falar de um filme tão bom. Acho criticar negativamente filmes mais fácil que falar positivamente deles. Porque no positivo só consigo pensar em encher de elogios e, enquanto estou assistindo, fico tão encantada que não consigo captar o porquê de serem tão bons. Esse é um longa metragem incrível. Gostei bastante.
Bom, passou de meia noite enquanto escrevia, mas esse ainda é o de sábado (pagando o de sexta) e amanhã posto um bônus por causa do atraso de quinta. Acho que semana que vem é a última das minhas aulas de espanhol, isso significa também que vou reduzir a frequência de postagens. Uma por semana até eu me acostumar com a rotina nova. E quando as aulas de espanhol voltarem, vou fazer duas por semana, nos dias que eu tiver aula. Boa noite.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Como agua para chocolate (México, 1992)

Como Água Para Chocolate é um filme mexicano dirigido por Alfonso Arau e escrito por Laura Esquivel, autora de um livro homônimo que foi grande sucesso no México. Não imagino como o romance possa ser, mas o filme é simplesmente excelente. Uma história que ficou tão perfeitamente adaptada para a linguagem cinematográfica que fica até difícil acreditar que tenha sido pensada para outra plataforma.
Existe toda uma relação especial da protagonista com a culinária e a cozinha em geral, mas mesmo assim até agora eu não consegui sacar de qual é a do nome do filme. Talvez seja alguma expressão da língua espanhola que eu não conheço. Para mim ficou parecendo um título ruim para um filme tão bom.


A narradora conta história de sua tia-avó, Tita, que, por ser a mais nova das filhas de Elena, é obrigada a cuidar da mãe e não pode se casar. As duas atrizes, Lumi Cavazos no papel de Tita e Regina Torné no papel de Elena, encarnam muito bem os sentimentos de repressão, medo, solidão e melancolia. Também destaco a atuação de Ada Carrasco, como Nacha, a empregada da cozinha que cria Tita. 
É um filme bastante dramático e emocional. Mostra o poder do desejo e os perigos de reprimi-lo. Mais uma vez, o cinema mexicano me surpreende em termos de inovações na linguagem. A introdução do filme já traz logo de cara uma quebra de quarta parede. E, durante o filme, muitas situações visualmente inusitadas tornam a experiência de assistir esse longa metragem mais prazerosa. Gostei muito das metáforas usadas para abordar a libertação sexual feminina, principalmente daquela que conta a história de Gertrudes, uma das irmãs de Tita.


Apesar de muito sofrimento, o filme traz várias mensagens de esperança e, principalmente, de força feminina. Mostra, sutilmente, como mulheres são criadas para não se darem bem umas com as outras, mas mostra, explicitamente, também como isso pode ser contornado e como a união feminina é poderosa. E esses não são os temas do filme.
Mesmo com todo esse empoderamento das mulheres, o filme ainda reforça a importância do amor Romântico e do casamento na nossa sociedade. Sempre falando sobre a importância do casamento com quem se ama, da maternidade e dos dotes caseiros (saber cozinhar, saber cuidar do lar etc.) para as mulheres. O que é compreensível por ser um que se passa no México dos anos 1920/1930. 
Está ficando cada vez mais difícil escolher qual dos filmes é o meu preferido do blog, mas garanto que esse entra na lista dos cinco melhores. Fiquei feliz, sorrindo à toa feito criança enquanto assistia. Recomendo muitíssimo! 


Bom, agora vamos a parte chata: ontem eu não postei. Na verdade, assisti esse filme ontem, mas acabei sem tempo. Não sei se falei aqui, mas fui furtada, então ontem fui resolver alguns problemas com documentos e bloquear meu chip de celular. No fim das contas ainda não consegui ficar livre de nenhum dos problemas e vou precisar correr atrás dessas coisas semana que vem de novo. 
Também comprei algumas roupas novas para trabalhar e gastei um grande tempo separando roupas para doar, já que quando entra alguma peça de roupa nova, eu sempre me desfaço de duas antigas.  
Enfim, foi um grande vacilo, perdão, mas para compensar vou postar sobre o filme de hoje amanhã e fazer um post extra no domingo. Espero que curtam.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

La Niña Santa (Argentina, 2004)

Esse é um filme sobre abuso sexual/estupro e o deturpamento que a Igreja como instituição causa nas vítimas desse crime. Achei difícil de assistir, não por ser um filme ruim, mas por ser um tema denso e que me toca muito. 
É o segundo filme da Lucrecia Martel que assisto (o primeiro foi A Mulher Sem Cabeça) e reforço a sensibilidade e delicadeza que ela tem para tratar temas tão pesados.


Uma menina muito religiosa é molestada (mais de uma vez) por um médico. A mãe dela, não tão religiosa assim, está se apaixonando por esse mesmo médico sem saber dos abusos. A menina não quer contar à mãe sobre isso e, pior, entende o ato como um chamado de deus para salvar o tal médico. Só pela sinopse já dá para perceber que não é um filme fácil. 
Esse longa metragem é bem mais metafórico que A Mulher Sem Cabeça, mas ainda assim, achei um filme melhor. Martel usa muitos enquadramentos incomuns e mostra as personagens através de portas entreabertas ou atrás de paredes, dando uma ideia muito visual de como a personagem abusada está desorientada e perdida. 


Uma das sacadas mais geniais do filme, para mim, foi o final. Não se pode chamar de desfecho porque, assim como na maioria dos casos de estupro e abuso sexual, não há uma conclusão de verdade. Não sabemos o que acontecerá com o médico nem como a menina seguirá sua vida ou o que a mãe fará a respeito de tudo isso. Mas sentimos o choque da notícia revelada. Sentimos a dor e a angústia da menina. Sentimos o asco que toda vítima desses crimes sente por seu abusador. A figura do médico molestador ficou muito bem representada, gerando nojo e repulsa a cada vez que aparece em cena. 


Uma outra coisa que chama muita atenção no longa é o pano de fundo religioso. Existe uma crítica silenciosa a instituição católica que é muito precisa. Mostra as pontas soltas dessa religião tão agressiva, mostra como é uma religião que desestimula a busca pelo conhecimento e mostra também como isso interfere de maneira negativa na vida de quem se dedica ao princípios que o catolicismo cego impõe.
Além de toda essa parte negativa, é um filme que também aborda temas como a amizade e o amor familiar de forma positiva. Só que esses não são assuntos principais. Com certeza é uma película inquietante e que vale a pena ser vista. 
Além dos ângulos e enquadramentos diferentes que já citei, não tem muita novidade técnica. O longa termina com muitas reflexões jogadas para as espectadoras, mas não são justamente os filmes bons aqueles que nos fazem pensar? Para quem acredita nisso, esse filme é excelente.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Yo soy sola (Argentina, 2008)

Yo soy sola é um filme que conta as diferentes histórias de quatro mulheres. Foi indicação muito boa, fiquei muito empolgada para assistir, mas assim que entrei no Netflix, li alguns comentários negativos sobre o filme. Os que mais me incomodaram foram alguns dizendo que o longa só reforça a ideia de que toda mulher quer se casar. 
Depois de assistir, reforcei minha opinião de que as pessoas no Netflix fazem análises muito superficiais sobre o que assistem e de que posso confiar nas indicações de pessoas que admiro. O filme mostra, na verdade, as dificuldades e os problemas que mulheres adultas enfrentam cotidianamente. Também me pareceu muito mais uma crítica à imposição do matrimônio e da maternidade feita às mulheres que um reforço dessa imposição. 


Tenho notado que esse estilo de histórias paralelas tem se repetido no cinema argentino contemporâneo. E que muitos filmes bons têm saído desse estilo, como Relatos Selvagens (indicado ao Oscar) e O que Pensam os Homens. Aliás, esse último é bem parecido com Yo soy sola, mas com homens como protagonistas. 
Todas as histórias são muito sensíveis, no sentido de captar de maneira muito fiel sentimentos e angústias difíceis de expressar, mas são também muito fortes ao mostrar como todas essas mulheres seguem suas vidas e enfrentam seus problemas apesar de todas as adversidades. A única crítica que faço é de que, realmente, todas as questões colocadas em jogo no filme são afetivas.


A primeira história foi a com que mais me identifiquei, talvez porque seja a que mais mostra outros aspectos da vida feminina que não o afetivo. Me pareceu mais completa que as outras, mais interessante e um pouco mais verossímil. Ainda assim, todas as histórias me pareceram muito sinceras. A introdução do longa metragem também é muito interessante.
Achei um filme leve e divertido, gostei muito de alguns reenquadramentos e mudanças de foco que ajudam a dar fluidez e ritmo, mas tirando isso não reparei em muitas outras inovações técnicas. O que não quer dizer que o filme não seja bem feito, ele é. Destaco também a direção de arte, de Anna Carnovale, que fez um trabalho detalhado com cores muito bem pensadas e cenários bem construídos.
Por fim, as histórias se complementam, mas não se completam. Cada um delas poderia muito bem dar um filme único e isso foi um grande acerto da roteirista e diretora Tatiana Mereñuk. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Querida, voy a comprar cigarrillos y vuelvo (Argentina, 2011)

Ousaria dizer que Querida, Vou Comprar Cigarros e Já Volto foi o melhor filme argentino que já assisti, mesmo contando os filmes que vi antes do blog. Dirigido por Mariano Cohn e Gastón Duprat esse filme é criativo, inusitado e apresenta uma estética bem diferente das habituais.


A introdução do filme é simplesmente genial e já me conquistou logo de início. E o desenrolar do filme não decepciona, conta a história de um homem que tem a chance de voltar no tempo e reviver dez anos de sua vida para ganhar um milhão de dólares. 
Eu não destacaria tanto as atuações, mas a linguagem e o enredo são incríveis e compensam. Não que as atuações sejam ruins também, mas a história é tão boa e as intervenções do autor do conto que inspirou o filme são tão certeiras que acabam encobrindo outros aspectos. 


Foi muito prazeroso assistir a esse filme, hoje eu acordei um pouco mal, com dor de garganta, dor de cabeça e febre. O longa metragem foi a alegria do meu dia, até me animou um pouquinho, mas ainda não estou bem. Com certeza teria mas um milhão de coisas para dizer sobre esse filme, mas como estou muito desgastada com as dores, vou falar do simbolismo que mais me encantou:o jabuti que aparece em todos os tempos do filme. Achei a simbologia muito direta e também acho que ela ajuda as espectadoras a não se perderem na confusão temporal que acontece.
Enfim, já está tarde e amanhã ainda vou ter de fazer várias coisas com essa garganta meio ruim, a febre está diminuindo. Espero melhorar logo, mas de qualquer jeito vou continuar assistindo os filmes e escrevendo aqui. 

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Fresa y chocolate (Cuba, 1993)

Morango e Chocolate é um filme cubano que, como já era de se esperar, eu gostei bastante. Foi baseado no conto El Lobo, el bosque y el hombre, de Senel Paz, e dirigido por Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío. 
Eu tenho várias observações sobre esse filme, mas fui furtada e ainda estou um pouco tensa com o negócio todo. Levaram minha bolsa com a carteira e o celular, não tinha muito dinheiro, mas perdi todos os meus documentos, então minha cabeça não está muito boa agora, mas vou cumprir a proposta de falar sobre um filme por dia mesmo assim. 


O protagonista do filme é David, um jovem comunista apaixonado por uma mulher que se casa com outro. Ao sair do casamento, ele é abordado por Diego, um jovem homossexual que tem muitas críticas ao governo de Fidel Castro e se sente atraído por David. Inicialmente, David não quer conversa com Diego, mas eles continuam se encontrando porque David está disposto a fazer com que Diego também vire um revolucionário comunista.
O filme é, antes de tudo, sobre amizade. Os dois protagonistas são completamente diferentes, mas se respeitam bastante e conversam sem ofender um ao outro. Em meio às conversas, cresce uma amizade sincera entre os dois. 


O que prende a espectadora a esse filme ão os diálogos, muito bem elaborados e inteligentes. Eles expõe os diferentes pontos de vista e mostram como o diálogo, mesmo com discordâncias, ajuda a amadurecer e embasar opiniões.
Também gostaria de destacar a fotografia, de Mario García Joya, que com movimentos de câmera muito bem pensados, cria um ambiente mais amplo e dinâmico para as cenas. A câmera acompanha os diálogos como se também participasse deles e, ao mesmo tempo, apresenta o cenário a espectadora, mostrando objetos de cena simbólicos e ações importantes, além enfatizar de a movimentação dos atores dentro de cena. É uma fotografia orgânica e fluida que combina perfeitamente com a proposta do filme. 


Quanto ao tema da homossexualidade, bom, eu não posso falar sobre como foi a recepção do filme porque não li sobre isso ainda (encontrei esse artigo e essa entrevista, vou ler assim que resolver o negócio dos meus documentos), mas imagino que tenha sido bastante polêmica. As relações homo afetivas com certeza não são o enfoque do filme, tanto que nem são mostradas, mas Diego é assumidamente homossexual que não tem medo de dizer isso. Pelo que consegui entender, até o lançamento desse longa, não havia outros filmes cubanos que abordassem a homossexualidade. 
É um filme extremamente maduro nesse sentido. Gostei muito de ver o tema ser tratado com naturalidade, sem exageros e sem apelar para o humor barato ao qual muitas vezes associam os homossexuais. Um filme simples e muito direto, que gera muitas reflexões. Provavelmente assistirei de novo, é um daqueles longas que precisam ser assistidos mais de uma vez.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

La Ilusión Viaja En Tranvía (México, 1953)

A Ilusão Viaja de Trem é um trabalho de Luis Buñel recheado de simbolismos. O filme mexicano parece contar a história de dois amigos, Caireles e Tarrajas, mas, na verdade, o protagonista aqui é o trem. É um filme divertido, bem dinâmico e fácil de assistir. 


Eu esperava algo completamente diferente quando resolvi assistir a um filme do Buñel. A história de dois amigos que, prestes a serem demitidos, saem para passear pela última vez no trem em que trabalharam durante toda a vida é realista e simples. Como a própria narração diz, é uma história cotidiana, só mais uma história, entre as milhares que existem na Cidade do México. 
Depois de saírem, Tarraja e Caireles enfrentam vários imprevistos que o impedem de retornar com o bonde para o depósito. Um enredo fácil e sem complicações, mas que gera agonia e situações bastante inusitadas, além de fazer uma crítica social forte, mostrando como a inflação e o capitalismo afetam o dia-a-dia da população na capital mexicana. 


O filme explica de forma fácil o que é a inflação e mostra a exploração dos patrões em cima dos trabalhadores. É um filme de comédia e seu posicionamento político claro não tira o humor - pelo contrário, o reforça.
Apesar de o final não ser surpreendente, é sublime. É um detalhe que faz jus ao título do filme, trazendo um sentido novo a tudo que foi visto. Enfim, eu curti o filme, achei interessante ver algo do Buñel, só conhecia Um Cão Andaluz (que é um curta dele e do Dalí), mas esse aqui é bem diferente, bem mais direto e é uma história bem mais fechada.
Amanhã tenho muitas coisas para fazer, então provavelmente vou voltar para os anos 2000 porque já tenho alguns filmes aqui, mas foi muito legal ter variado. Vou procurar algo dos anos 70, 80 e 90. Estou com algumas referências aqui para pesquisar, mas a vida anda um pouco corrida. Talvez esse final de semana dê tempo de achar cosias novas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

El baño del Papa (Uruguay, 2007)

Mais um filme com contexto religioso. O Banheiro do Papa é um filme uruguaio escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernández, inspirado no livro O Dia em que o Papa Foi a Melo, do brasileiro Aldyr Schlee.
Se passa na cidade uruguaia Melo, na fronteira com o Brasil. É em Melo que reside Beto, um homem que cruza a fronteira com mercadorias brasileiras para vender no Uruguai. A cidade de Melo é bem pequena e pobre, mas a população toda se mobiliza com a notícia de que o papa João Paulo II vai fazer um discurso lá. Compram quilos de carne, milhares de pães, preparam algodões doces e batatas fritas para vender ao turistas que irão assistir ao discurso do papa.


Beto já havia tido problemas na fronteira e, por isso, tem uma ideia para recuperar seu dinheiro: construir um banheiro para oferecer "serviços higiênicos". Começa uma corrida contra o tempo para construir o banheiro a tempo da visita do pontífice. 
O filme é cheio de paisagens lindas do sul do nosso continente e os cruzamentos de fronteira são sempre emocionantes. Beto e os outros "bagayeros" ou "bagageiros", como são chamados, atravessam a fronteira de bicicleta, carregando as mercadorias. Beto, no entanto, sonha em comprar uma moto para atravessar mais rápido e com menos chances de ser pego. A cena em que ele pedala a bicicleta sonhando em ser dono da moto, para mim, foi a mais genial do filme. 


No começo, achei que o filme seria um pouco chato e cansativo, mas é um filme curto e as reviravoltas começam a aparecer rápido, deixando o filme interessante e nada tedioso. O final é bem triste, ver todo aquele desperdício e esforço em vão me deixou um pouco mal, mesmo sabendo que é ficção. É um filme bonito, não achei dos melhores, mas gostei de ter assistido. Enfim, não sei muito mais o que dizer sobre ele, é um filme sobre sonhos e capacidade de sonhar que traz um ponto de vista diferente sobre isso. 
Agora, um comentário geral sobre o blog: estava reparando que todos os filmes que assisti até agora são dos anos 2000. Isso aconteceu porque comecei o blog sem me planejar muito e sem muito tempo para pesquisar, mas amanhã quero assistir um filme da fase mexicana do Buñel e, se eu conseguir, vai ser bem legal porque vai ser um filme mais antigo. Também, como sempre falo, vou tentar variar mais os países. E dessa vez fica a promessa de variar as décadas também. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Joven y alocada (Chile, 2012)

Hoje eu trapaceei um pouquinho porque já tinha visto esse filme ano passado. Perdão, tive ensaio da minha colação de grau e acabei me enrolando um pouco. Eu escolhi porque sabia que tinha no Netflix e hoje eu não tive tempo de baixar nem pesquisar outros. É o primeiro filme chileno aqui no blog. Dirigido por Marialy Rivas, escrito por Camila Gutiérrez, María José Vieira-Gallo e Pedro Peirano. Mas com destaque para Gutiérrez, que, ao que me parece, é a inspiração para a protagonista e a história do filme (não consegui assistir o vídeo inteiro, mas rola essa entrevista aqui).


Alicia Rodríguez vive Daniela, uma adolescente de família evangélica muito conservadora. Em meio a descoberta de sua sexualidade, sem ter como conversar com sua família, Daniela começa a escrever um blog para falar sobre suas experiências e para poder ter com quem conversar sem ser reprimida. É um filme cheio de críticas às instituições também (como o Miss Tacurembó de ontem), mas muito mais voltado à religião evangélica. Ela estuda em uma escola muito conservadora também e o único apoio que encontra da família vem de uma tia que está morrendo de câncer. 


Gosto muito da maneira como a protagonista ironiza e desafia a igreja. Também é muito bom ver um filme com uma representação feminina que fale abertamente de sexo, piroca, siririca e afins. Aliás, o filme trata a masturbação feminina com uma naturalidade incrível. E olha que se passa num ambiente evangélico! 
Também gosto muito das intervenções gráficas que aparecem durante o filme inteiro. São imagens divertidas, femininas, sexuais e um tanto quanto pagãs (no sentido de serem imagens que brincam com figuras bíblicas). Gosto muito disso, é ousado, corajoso e direto. Deixa muito claro o posicionamento do filme quanto à religião e à sexualidade. 


Já acho muito bom assistir filmes com protagonistas mulheres. Nesse, a protagonista é mulher e bissexual. Achei isso muito interessante porque é muito raro ver representatividade bissexual na mídia por aqui. É bom desmistificar a ideia de que bissexualidade é sinônimo de indecisão. Mesmo esse não sendo o foco do filme, achei isso muito legal. 
No mais, não achei um filme ótimo, mas também não achei ruim. Não ficou cansativo em momento algum porque o choque de ver uma mulher falando tão natural abertamente de sexo conquista as pessoas, mas toda essa atmosfera religiosa me casa um pouco. Acho que é um filme inovador, criativo e muito sincero, mas não teve nada que realmente me prendeu.
Bom, sei que estou um pouco atrasada essa semana e acabei vendo um filme repetido, mas por não ser repetido aqui no blog deixei passar. Provavelmente ainda vou repetir algum país até o final da semana, mas estou querendo muito encontrar algo colombiano ou venezuelano para assistir. Também peguei o nome de um filme da Guatemala, mas é quase impossível de encontrar o filme em si. Vou continuar tentando.

Miss Tacurembó (Uruguay, 2010)

Estava devendo assistir esse filme há uns 5 anos, quando um amigo me recomendou. E hoje, depois de ter visto, me arrependo muito de ter demorado tanto a assistir. O lado bom é que posso falar sobre ele aqui. Antes de começar, quero pedir desculpas porque esse post vai atrasar um dia. Comecei a escrever faltando 5 minutos para meia noite, mas não dormi, tá valendo. 
Miss Tacuarembó é uma comédia musical uruguaia com co-produção argentina (e um dedinho da Espanha). É o primeiro longa-metragem do diretor Martín Sastre, que além de cinema também faz videoarte, esculturas... Conta a história de Natalia, uma menina que gosta de coreografar e dançar com o amigo Carlos. Ela sonha em deixar Tacurembó, uma cidade no norte do Uruguai, para ser cantora e famosa. 


Tenho tantas coisas para falar sobre esse filme que até fica difícil começar, mas vamos lá. Esse certamente é daqueles filmes que quem assiste ou ama ou odeia. Tem uma estética exagerada de anos 80. Incluindo um figurino sinestésico e colorido com sabor de infância e intervenções sonoras e visuais recorrentes. Eu fui uma das pessoas que amou. 
Vários planos me encantaram muito pela fotografia. Aliás, a fotografia foi o que me conquistou (sempre é). Uma cena em especial me chamou muita atenção: quando Natalia e Carlos estão deitados embaixo de um globo de concreto, conversando sobre sair de Tacurembó, e Natalia diz que um dia eles terão o mundo a seus pés. A brincadeira fotográfica feita nessa cena é incrível. E esse padrão é mantido durante todo o filme. O diretor de fotografia é Pedro Luque e com certeza merece ser destacado aqui. 


Também gostei muito das cenas em que Natalia, ainda criança, entra na igreja para brigar com Jesus por ele não atender os pedidos dela. Achei, durante todo o longa, que havia uma crítica silenciosa às instituições religiosas, principalmente a católica. Como se houvesse uma mensagem silenciosa sobre como o fanatismo religioso pode ser prejudicial para as pessoas, principalmente para as crianças. Isso deixa o filme muito interessante, porque obriga as espectadoras a mergulharem num universo religioso, para desconstruí-lo por dentro, mostrando suas falhas e os sofrimentos que ele pode gerar desnecessariamente. 
Miss Tacuarembó também ironiza o sonho norte-americano de ser famosa, casada e com filhos. Aquele jeito de viver estadunidense todo. Escracha que não basta ser protagonista de um longa-metragem para se conseguir o quer, mas faz isso de uma maneira positiva e otimista. 
Bom, um filme cheio de referências que vale a pena ser assistido por todas as pessoas, até por aquelas que talvez não gostem. É uma estética dinâmica e diferente do que a gente costuma encontrar por ai. E uma história muito bem construída e muito bem trabalhada que se encaixa perfeitamente com a proposta visual. 
Realmente gostei, espero que mais gente assista e goste também.
Boa noite!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

7 cajas (Paraguay, 2012)

Filme de ação muito bem elaborado. Cheio de movimentos de câmera e ângulos inovadores. Aproveita bastante a versatilidade, o tamanho reduzido e a leveza das câmeras digitais, criando um ritmo rápido e dinâmico muito bom. É daqueles filmes que te deixam ansiosa pela próxima cena, deixando sempre uma atmosfera de curiosidade e uma leve agonia.
Esse foi meu primeiro contato com o cinema paraguaio e foi incrível. Achei realmente muito bom, cheio daqueles detalhes que dão um calorzinho bom no coração de cinéfila ao assistir. E olha que eu não curto muito filmes de ação. 


O filme foi dirigido por Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori, com roteiro de Maneglia. Vale destacar também a direção de fotografia, de Richard Careaga. As atuações são excelentes. Celso Franco vive o protagonista, Victor, um jovem que tem pouco dinheiro, quer ser famoso e quer um celular com câmera. Para isso, ele aceita carregar sete caixas, sem saber o que há dentro delas. A partir dai se desenrolam muitas histórias paralelas que têm as caixas como elo de ligação. Outra atuação muito boa é a de Lali Gonzales, no papel de Liz, uma amiga de Victor que o ajuda a resolver todos os problemas que vieram junto com as caixas. 


Eu fiquei encantada por esse filme logo na introdução. A cena de abertura é em stop motion e já adianta a dinâmica e o ritmo rápidos que seguem. Escolhi esse filme hoje principalmente porque ele é um filme curto, tem uma hora e 45 minutos. Apesar de ser curto, muita coisa acontece nesse tempo e, mesmo assim, o filme não fica cansativo em momento algum. Um filme bem empolgante e animador, foi muito bom ter escolhido esse para hoje, tive prova de espanhol e é sempre bom dar uma relaxada e fazer algo prazeroso antes de provas. Assistir esse filme foi muito prazeroso pra mim, me ajudar a ficar mais relaxada e calma na hora da prova.
Também gostei muito de ter conseguido um filme de um país diferente. Durante o fim de semana vou procurar outros para semana que vem. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Biutiful (México, 2010)

Na verdade, já quase no meio do filme, percebi que ele se passa na Espanha, mas como não tive tempo de ver hoje, vou falar sobre ele mesmo assim. Em todos os lugares que procurei sobre esse filme, falam que é uma produção mexicana mesmo, mas a história acontece em Barcelona, na Espanha. Escolhi assistir esse hoje porque tem esse filme no Netflix e eu estava um pouco sem tempo para procurar outros.


O filme é dirigido por Alejandro Gonzáles Iñarritu. É sobre um homem chamado Uxubal (Javier Bardem) que tem a custódia de seus dois filhos e vive separado da esposa. Uxubal descobre que tem câncer e teme pelo futuro de seus filhos, já que ele é órfão. Uxubal não pode contar com a mãe das crianças pois ela sofre de transtorno bipolar e alcoolismo, além disso, ele não tem muitos amigos e ganha dinheiro fazendo alguns trabalhos ilegais.
O filme também tem bastante referencia a espiritualidade. Fala sobre aceitação da morte e sobre resolver pendências. Acho que esse lado da personagem de Bardem poderia ter sido mais explorada.


Sinceramente, não gostei muito desse filme. Me decepcionei quando vi que ele não se passava na América Latina e, depois disso, acabei me dispersando um pouco. Some a isso o fato de que o filme tem mais de suas horas de duração e imagine a minha agonia enquanto assistia.
Mesmo assim, gostei bastante da fotografia e dos movimentos de câmera. A câmera é sempre ágil e dá um ritmo bom para o filme.
Não acho que o filme seja ruim, admito que hoje eu não estava no meu melhor estado para assistir um filme tão longo e introspectivo. E também broxei demais com a história da Espanha. É um filme que merece uma segunda chance, mas por enquanto só quero saber dos filmes hermanos da América Latina mesmo. Fica para depois.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

El pasado (Argentina, 2007)

Na verdade, essa é uma co-produção Argentina-Brasil, mas como todos os diálogos são em espanhol e a parte que se passa no Brasil é bem pouca, achei que valeria pra cá. O filme conta a história de Rimini, que se divorcia de Sofia depois de 12 anos e começa a fugir dela, ignorá-la. Enquanto isso, Sofia insiste em procurá-lo para dividir as fotos de casal dos dois entre eles, para que possam seguir em frente dividindo as lembranças, e não guardando tudo sozinha.


O filme é de Hector Babenco, argentino radicado no Brasil, e tem Gael García Bernal e Analía Couceyro no elenco. Engraçado que o primeiro ator repetido aqui foi o Bernal e não o Ricardo Darín. Bom, não tenho muito o que falar sobre esse filme, talvez ainda não tenha absorvido completamente, mas talvez eu simplesmente não tenha captado bem. É um filme que trata de memórias/lembranças, mas também de encarar o passado e sobre aceitar términos (tanto de relações, como de fases da vida, etc.). 


O filme é um pouco longo, não chega a ser cansativo, mas dá para perceber que é demorado. Não é daqueles filmes longos que passam rápido, uma característica que eu gosto bastante. Senti falta de explorarem melhor a personagem de Couceyro, Sofia. Depois do divórcio, ela só aparece quando tenta se comunicar com Rimini, não sabemos o que ela faz, como está lidando. Podemos imaginar pelas reações que ela tem ao se encontrar com Rimini, mas não sabemos realmente. Isso incomoda um pouco porque parece que só a vida dele continuou após o término, mas talvez seja justamente essa a intenção ao omitir essas coisas. Se foi mesmo a intenção, foi bem sucedida. Mas continua a me incomodar o esterótipo de mulher emocional e presa que não consegue seguir em frente. 
Enfim, o filme parece muito mais expor a fuga, mostrar como Rimini corre do passado e tem medo de encarar a separação. Também fala um pouco sobre lembranças e perda de memória, mas não se aprofunda muito nisso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

El hombre de al lado (Argentina, 2009)

Hoje assisti El hombre de al lado, dirigida por Mariano Cohn e Gastón Duprat. É um filme interessante, se passa praticamente todo no mesmo lugar: a Casa Curutchet, uma casa em La Plata, na província de Buenos Aires, famosa por sua arquitetura.


Leonardo, vivido por Rafael Spregelburd, mora nessa casa com a família, um dia o vizinho Víctor, Daniel Aráoz, decide abrir uma janela, mas essa janela é virada para a casa de Leonardo. A partir dai começa uma briga entre os vizinhos orgulhosos e cabeça-dura. O filme é uma comédia com algumas pitadas de drama que dão mais emoção e quebram a monotonia da história.


O filme se destaca pela atuação da dupla principal. Aráoz encarna muito bem sua personagem, deixando-a caricata, porém sem muito exagero. Para mim, o filme peca ao não explorar mais a fundo a relação de Leonardo com a filha, por exemplo.
Outra coisa que reparei é que o filme acelera seu ritmo ao se aproximar do final. O enredo todo é bem construído, as personagens são apresentadas e muito bem caracterizadas. Só fiquei com a impressão de que o trabalho primoroso na introdução e apresentação não se manteve nas cenas finais. A última parte do filme é corrida, não chega a ficar confusa, mas poderia ter sido mais demorada, enquanto a primeira parte ficou muito explicativa e repetitiva e poderia ter sido um pouco mais curta.


Essa última imagem é a fachada da Casa Curutchet. É uma construção muito bela, com muitas portas e paredes de vidro, passa uma ideia de muita elegância e riqueza, mas não vemos a mesma elegância em Leonardo, que a habita. Essa contradição é interessante já que Víctor vive numa casa (ou apartamento?) muito menor e menos elegante, porém ele é muito mais educado e respeitoso que Leonardo.
Bom, não achei nada de muito genial nesse filme, é bom, interessante e divertido, mas achei um pouco cansativo principalmente pelo ritmo, como falei ali em cima. Estão acabando os filmes que eu tenho para assistir e agora sobraram muitos argentinos. Não queria ficar muito presa a um só país, gostaria muito de sugestões de filmes de países que não coloquei aqui ainda. Obrigada!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Y tu mamá también (México, 2001)

E Sua Mãe Também é um filme do Mexicano Alfonso Cuarón, que ficou bem falado recentemente pelo seu filme Gravidade. Eu, particularmente, achei E Sua Mãe Também muito melhor em termos dramáticos, conta a história de um triângulo afetivo formado por dois amigos de infância mexicanos e uma mulher espanhola. O roteiro é muito completo, original e sem pontas sobrando.


O trio de protagonistas conta com os atores Gael García Bernal, Diego Luna e a espanhola Maribel Verdú. Mesmo contracenando com Bernal, que é um ator maravilhoso, Verdú se destaca e rouba para ela toda atenção na cena. É uma atriz excelente e ficou incrível no papel da estrangeira Luisa. 
O filme é bem direto, gostei muito das cenas de sexo, que se encaixam no filme e não forçam a barra. São cenas orgânicas e muito lindas. As cenas de sexo nesse filme mostram as mulheres como seres sexuais e com desejos, sem endeusar ou santificar as mulheres, também sem tratá-las como se fossem seres passovos, dependetes da vontade dos homens. Isso me agradou bastante. Luisa está sepre no poder e é ela quem toma as decisões a respeito da própria sexualidade. Além dela, as garotas do começo do filme também mostram bastante independência e conhecimento sexual. Sério, gostei muito. Triste precisar de um homem para mostrar isso sem ser desrespeitado, mas isso é outra discussão.
Outra coisa legal desse filme é que os sobrenomes remetem a personagens históricos do México: a personagem de Gael García Bernal se chama Julio Zapata (referência a Emiliano Zapata, símbolo da revolução mexicana), já a personagem de Maribel Verdú, a estrangeira que altera o curso natural dos acontecimentos, chama-se Luisa Cortés, fazendo referência ao espanhol que se apropriou das terras mexicanas. 


O desfecho do filme é avassaladoramente real, muito plausível de acontecer. Talvez por isso role um certo estranhamento de ver um final assim no cinema, tão diferente do "final feliz" padrão. Mesmo assim o final é encantador, e eu achei até empolgante, de certa forma. Finais mais parecidos com a realidade me encantam mais, parece que me fazem perceber melhor minhas possibilidades verdadeiras. 
Foi bom ter visto um filme mexicano. Já estava mesmo querendo quebrar o eixo Argentina-Peru que eu criei aqui no blog e essa visão mais distante e diferente me animou bastante. Um filme encantador daqueles que te arrancam um sorriso de satisfação quando sobem os créditos. Fiquei feliz de ver e me deu um gás a mais para os próximos. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

El nido vacio (Argentina, 2008)

Esse filme já estava na minha lista há muito tempo, desde que seu roteirista e diretor, Daniel Burman, deu uma oficina de roteiro na UnB, já há alguns semestres. El nido vacio é daqueles filmes que você percebe que foram pensados cinematograficamente, que foram escritos para o cinema. A história é um ciclo perfeito e tem um desfecho sutilmente otimista. 

O estilo do filme me lembrou muito o de Contracorrente, apesar de serem propostas diferentes, os recursos estéticos são parecidos. Achei esse filme muito bem construído, mostra o drama familiar, mas também expõe muito bem o drama individual do protagonista. 
Gostei muito, está no topo da lista até agora (junto com o Contracorrente). Me despertou muito a vontade de ver outros filmes do Burman, além do roteiro excelente, a arte e as atuações também são muito boas. Recomendo.

Contracorriente (Perú, 2009)

Hoje assisti Contracorrente, é peruano com co-produção colombiana, se não me engano. Muito bom, se passa numa vila de pescadores e tem paisagens incríveis. Escrito e dirigido por Javier Fuentes-Leon, esse filme lida com os sentimentos de forma muito humana. É muito sensível e primoroso nos detalhes, isso deixa a experiência de assisti-lo muito prazerosa. 


Miguel é um pescador casado,prestes a ser pai, que tem um caso com Santiago, um homem de fora da Vila e mal visto por todos. O filme toca assuntos polêmicos como a aceitação da própria sexualidade de maneira natural e bastante fluida. O ritmo do filme é preciso, mantém a espectadora atenta e sempre curiosa, aguardando pela próxima cena, para saber qual será o desfecho da história. 
Além disso, esse filme ilustra muito bem o realismo fantástico. Usa recursos muito simples para expressar o "sobrenatural", consegue ser entendio e é esteticamente bem resolvido sem precisar apelar para efeitos especiais espalhafatosos.


Enfim, demorei pra postar hoje, mas ainda não dormi então ta valendo. Só pra concluir, dos filmes que vi até agora, esse foi o que mais gostei. É intrigante, tem uma crítica social pertinente (talvez um pouco amena, mas que funciona justamente porque a homossexualidade, em muitos lugares, ainda é tratada como tabu e não é muito conversada - como no filme). Do que tenho reparado até agora no cinema latino americano em geral, e nesse filme também é que não existe um herói perfeito, todas as personagens, mesmo as protagonistas, têm dúvidas, têm problemas, têm conflitos morais e de personalidade. Eu acho isso muito incrível, acho que da mais realismo para o filme e acaba fazendo com que as espectadoras se identifiquem muito mais.
Hasta mañana!