terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Yo soy sola (Argentina, 2008)

Yo soy sola é um filme que conta as diferentes histórias de quatro mulheres. Foi indicação muito boa, fiquei muito empolgada para assistir, mas assim que entrei no Netflix, li alguns comentários negativos sobre o filme. Os que mais me incomodaram foram alguns dizendo que o longa só reforça a ideia de que toda mulher quer se casar. 
Depois de assistir, reforcei minha opinião de que as pessoas no Netflix fazem análises muito superficiais sobre o que assistem e de que posso confiar nas indicações de pessoas que admiro. O filme mostra, na verdade, as dificuldades e os problemas que mulheres adultas enfrentam cotidianamente. Também me pareceu muito mais uma crítica à imposição do matrimônio e da maternidade feita às mulheres que um reforço dessa imposição. 


Tenho notado que esse estilo de histórias paralelas tem se repetido no cinema argentino contemporâneo. E que muitos filmes bons têm saído desse estilo, como Relatos Selvagens (indicado ao Oscar) e O que Pensam os Homens. Aliás, esse último é bem parecido com Yo soy sola, mas com homens como protagonistas. 
Todas as histórias são muito sensíveis, no sentido de captar de maneira muito fiel sentimentos e angústias difíceis de expressar, mas são também muito fortes ao mostrar como todas essas mulheres seguem suas vidas e enfrentam seus problemas apesar de todas as adversidades. A única crítica que faço é de que, realmente, todas as questões colocadas em jogo no filme são afetivas.


A primeira história foi a com que mais me identifiquei, talvez porque seja a que mais mostra outros aspectos da vida feminina que não o afetivo. Me pareceu mais completa que as outras, mais interessante e um pouco mais verossímil. Ainda assim, todas as histórias me pareceram muito sinceras. A introdução do longa metragem também é muito interessante.
Achei um filme leve e divertido, gostei muito de alguns reenquadramentos e mudanças de foco que ajudam a dar fluidez e ritmo, mas tirando isso não reparei em muitas outras inovações técnicas. O que não quer dizer que o filme não seja bem feito, ele é. Destaco também a direção de arte, de Anna Carnovale, que fez um trabalho detalhado com cores muito bem pensadas e cenários bem construídos.
Por fim, as histórias se complementam, mas não se completam. Cada um delas poderia muito bem dar um filme único e isso foi um grande acerto da roteirista e diretora Tatiana Mereñuk. 

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