sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Fresa y chocolate (Cuba, 1993)

Morango e Chocolate é um filme cubano que, como já era de se esperar, eu gostei bastante. Foi baseado no conto El Lobo, el bosque y el hombre, de Senel Paz, e dirigido por Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío. 
Eu tenho várias observações sobre esse filme, mas fui furtada e ainda estou um pouco tensa com o negócio todo. Levaram minha bolsa com a carteira e o celular, não tinha muito dinheiro, mas perdi todos os meus documentos, então minha cabeça não está muito boa agora, mas vou cumprir a proposta de falar sobre um filme por dia mesmo assim. 


O protagonista do filme é David, um jovem comunista apaixonado por uma mulher que se casa com outro. Ao sair do casamento, ele é abordado por Diego, um jovem homossexual que tem muitas críticas ao governo de Fidel Castro e se sente atraído por David. Inicialmente, David não quer conversa com Diego, mas eles continuam se encontrando porque David está disposto a fazer com que Diego também vire um revolucionário comunista.
O filme é, antes de tudo, sobre amizade. Os dois protagonistas são completamente diferentes, mas se respeitam bastante e conversam sem ofender um ao outro. Em meio às conversas, cresce uma amizade sincera entre os dois. 


O que prende a espectadora a esse filme ão os diálogos, muito bem elaborados e inteligentes. Eles expõe os diferentes pontos de vista e mostram como o diálogo, mesmo com discordâncias, ajuda a amadurecer e embasar opiniões.
Também gostaria de destacar a fotografia, de Mario García Joya, que com movimentos de câmera muito bem pensados, cria um ambiente mais amplo e dinâmico para as cenas. A câmera acompanha os diálogos como se também participasse deles e, ao mesmo tempo, apresenta o cenário a espectadora, mostrando objetos de cena simbólicos e ações importantes, além enfatizar de a movimentação dos atores dentro de cena. É uma fotografia orgânica e fluida que combina perfeitamente com a proposta do filme. 


Quanto ao tema da homossexualidade, bom, eu não posso falar sobre como foi a recepção do filme porque não li sobre isso ainda (encontrei esse artigo e essa entrevista, vou ler assim que resolver o negócio dos meus documentos), mas imagino que tenha sido bastante polêmica. As relações homo afetivas com certeza não são o enfoque do filme, tanto que nem são mostradas, mas Diego é assumidamente homossexual que não tem medo de dizer isso. Pelo que consegui entender, até o lançamento desse longa, não havia outros filmes cubanos que abordassem a homossexualidade. 
É um filme extremamente maduro nesse sentido. Gostei muito de ver o tema ser tratado com naturalidade, sem exageros e sem apelar para o humor barato ao qual muitas vezes associam os homossexuais. Um filme simples e muito direto, que gera muitas reflexões. Provavelmente assistirei de novo, é um daqueles longas que precisam ser assistidos mais de uma vez.

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

La Ilusión Viaja En Tranvía (México, 1953)

A Ilusão Viaja de Trem é um trabalho de Luis Buñel recheado de simbolismos. O filme mexicano parece contar a história de dois amigos, Caireles e Tarrajas, mas, na verdade, o protagonista aqui é o trem. É um filme divertido, bem dinâmico e fácil de assistir. 


Eu esperava algo completamente diferente quando resolvi assistir a um filme do Buñel. A história de dois amigos que, prestes a serem demitidos, saem para passear pela última vez no trem em que trabalharam durante toda a vida é realista e simples. Como a própria narração diz, é uma história cotidiana, só mais uma história, entre as milhares que existem na Cidade do México. 
Depois de saírem, Tarraja e Caireles enfrentam vários imprevistos que o impedem de retornar com o bonde para o depósito. Um enredo fácil e sem complicações, mas que gera agonia e situações bastante inusitadas, além de fazer uma crítica social forte, mostrando como a inflação e o capitalismo afetam o dia-a-dia da população na capital mexicana. 


O filme explica de forma fácil o que é a inflação e mostra a exploração dos patrões em cima dos trabalhadores. É um filme de comédia e seu posicionamento político claro não tira o humor - pelo contrário, o reforça.
Apesar de o final não ser surpreendente, é sublime. É um detalhe que faz jus ao título do filme, trazendo um sentido novo a tudo que foi visto. Enfim, eu curti o filme, achei interessante ver algo do Buñel, só conhecia Um Cão Andaluz (que é um curta dele e do Dalí), mas esse aqui é bem diferente, bem mais direto e é uma história bem mais fechada.
Amanhã tenho muitas coisas para fazer, então provavelmente vou voltar para os anos 2000 porque já tenho alguns filmes aqui, mas foi muito legal ter variado. Vou procurar algo dos anos 70, 80 e 90. Estou com algumas referências aqui para pesquisar, mas a vida anda um pouco corrida. Talvez esse final de semana dê tempo de achar cosias novas.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

El baño del Papa (Uruguay, 2007)

Mais um filme com contexto religioso. O Banheiro do Papa é um filme uruguaio escrito e dirigido por César Charlone e Enrique Fernández, inspirado no livro O Dia em que o Papa Foi a Melo, do brasileiro Aldyr Schlee.
Se passa na cidade uruguaia Melo, na fronteira com o Brasil. É em Melo que reside Beto, um homem que cruza a fronteira com mercadorias brasileiras para vender no Uruguai. A cidade de Melo é bem pequena e pobre, mas a população toda se mobiliza com a notícia de que o papa João Paulo II vai fazer um discurso lá. Compram quilos de carne, milhares de pães, preparam algodões doces e batatas fritas para vender ao turistas que irão assistir ao discurso do papa.


Beto já havia tido problemas na fronteira e, por isso, tem uma ideia para recuperar seu dinheiro: construir um banheiro para oferecer "serviços higiênicos". Começa uma corrida contra o tempo para construir o banheiro a tempo da visita do pontífice. 
O filme é cheio de paisagens lindas do sul do nosso continente e os cruzamentos de fronteira são sempre emocionantes. Beto e os outros "bagayeros" ou "bagageiros", como são chamados, atravessam a fronteira de bicicleta, carregando as mercadorias. Beto, no entanto, sonha em comprar uma moto para atravessar mais rápido e com menos chances de ser pego. A cena em que ele pedala a bicicleta sonhando em ser dono da moto, para mim, foi a mais genial do filme. 


No começo, achei que o filme seria um pouco chato e cansativo, mas é um filme curto e as reviravoltas começam a aparecer rápido, deixando o filme interessante e nada tedioso. O final é bem triste, ver todo aquele desperdício e esforço em vão me deixou um pouco mal, mesmo sabendo que é ficção. É um filme bonito, não achei dos melhores, mas gostei de ter assistido. Enfim, não sei muito mais o que dizer sobre ele, é um filme sobre sonhos e capacidade de sonhar que traz um ponto de vista diferente sobre isso. 
Agora, um comentário geral sobre o blog: estava reparando que todos os filmes que assisti até agora são dos anos 2000. Isso aconteceu porque comecei o blog sem me planejar muito e sem muito tempo para pesquisar, mas amanhã quero assistir um filme da fase mexicana do Buñel e, se eu conseguir, vai ser bem legal porque vai ser um filme mais antigo. Também, como sempre falo, vou tentar variar mais os países. E dessa vez fica a promessa de variar as décadas também. 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Joven y alocada (Chile, 2012)

Hoje eu trapaceei um pouquinho porque já tinha visto esse filme ano passado. Perdão, tive ensaio da minha colação de grau e acabei me enrolando um pouco. Eu escolhi porque sabia que tinha no Netflix e hoje eu não tive tempo de baixar nem pesquisar outros. É o primeiro filme chileno aqui no blog. Dirigido por Marialy Rivas, escrito por Camila Gutiérrez, María José Vieira-Gallo e Pedro Peirano. Mas com destaque para Gutiérrez, que, ao que me parece, é a inspiração para a protagonista e a história do filme (não consegui assistir o vídeo inteiro, mas rola essa entrevista aqui).


Alicia Rodríguez vive Daniela, uma adolescente de família evangélica muito conservadora. Em meio a descoberta de sua sexualidade, sem ter como conversar com sua família, Daniela começa a escrever um blog para falar sobre suas experiências e para poder ter com quem conversar sem ser reprimida. É um filme cheio de críticas às instituições também (como o Miss Tacurembó de ontem), mas muito mais voltado à religião evangélica. Ela estuda em uma escola muito conservadora também e o único apoio que encontra da família vem de uma tia que está morrendo de câncer. 


Gosto muito da maneira como a protagonista ironiza e desafia a igreja. Também é muito bom ver um filme com uma representação feminina que fale abertamente de sexo, piroca, siririca e afins. Aliás, o filme trata a masturbação feminina com uma naturalidade incrível. E olha que se passa num ambiente evangélico! 
Também gosto muito das intervenções gráficas que aparecem durante o filme inteiro. São imagens divertidas, femininas, sexuais e um tanto quanto pagãs (no sentido de serem imagens que brincam com figuras bíblicas). Gosto muito disso, é ousado, corajoso e direto. Deixa muito claro o posicionamento do filme quanto à religião e à sexualidade. 


Já acho muito bom assistir filmes com protagonistas mulheres. Nesse, a protagonista é mulher e bissexual. Achei isso muito interessante porque é muito raro ver representatividade bissexual na mídia por aqui. É bom desmistificar a ideia de que bissexualidade é sinônimo de indecisão. Mesmo esse não sendo o foco do filme, achei isso muito legal. 
No mais, não achei um filme ótimo, mas também não achei ruim. Não ficou cansativo em momento algum porque o choque de ver uma mulher falando tão natural abertamente de sexo conquista as pessoas, mas toda essa atmosfera religiosa me casa um pouco. Acho que é um filme inovador, criativo e muito sincero, mas não teve nada que realmente me prendeu.
Bom, sei que estou um pouco atrasada essa semana e acabei vendo um filme repetido, mas por não ser repetido aqui no blog deixei passar. Provavelmente ainda vou repetir algum país até o final da semana, mas estou querendo muito encontrar algo colombiano ou venezuelano para assistir. Também peguei o nome de um filme da Guatemala, mas é quase impossível de encontrar o filme em si. Vou continuar tentando.

Miss Tacurembó (Uruguay, 2010)

Estava devendo assistir esse filme há uns 5 anos, quando um amigo me recomendou. E hoje, depois de ter visto, me arrependo muito de ter demorado tanto a assistir. O lado bom é que posso falar sobre ele aqui. Antes de começar, quero pedir desculpas porque esse post vai atrasar um dia. Comecei a escrever faltando 5 minutos para meia noite, mas não dormi, tá valendo. 
Miss Tacuarembó é uma comédia musical uruguaia com co-produção argentina (e um dedinho da Espanha). É o primeiro longa-metragem do diretor Martín Sastre, que além de cinema também faz videoarte, esculturas... Conta a história de Natalia, uma menina que gosta de coreografar e dançar com o amigo Carlos. Ela sonha em deixar Tacurembó, uma cidade no norte do Uruguai, para ser cantora e famosa. 


Tenho tantas coisas para falar sobre esse filme que até fica difícil começar, mas vamos lá. Esse certamente é daqueles filmes que quem assiste ou ama ou odeia. Tem uma estética exagerada de anos 80. Incluindo um figurino sinestésico e colorido com sabor de infância e intervenções sonoras e visuais recorrentes. Eu fui uma das pessoas que amou. 
Vários planos me encantaram muito pela fotografia. Aliás, a fotografia foi o que me conquistou (sempre é). Uma cena em especial me chamou muita atenção: quando Natalia e Carlos estão deitados embaixo de um globo de concreto, conversando sobre sair de Tacurembó, e Natalia diz que um dia eles terão o mundo a seus pés. A brincadeira fotográfica feita nessa cena é incrível. E esse padrão é mantido durante todo o filme. O diretor de fotografia é Pedro Luque e com certeza merece ser destacado aqui. 


Também gostei muito das cenas em que Natalia, ainda criança, entra na igreja para brigar com Jesus por ele não atender os pedidos dela. Achei, durante todo o longa, que havia uma crítica silenciosa às instituições religiosas, principalmente a católica. Como se houvesse uma mensagem silenciosa sobre como o fanatismo religioso pode ser prejudicial para as pessoas, principalmente para as crianças. Isso deixa o filme muito interessante, porque obriga as espectadoras a mergulharem num universo religioso, para desconstruí-lo por dentro, mostrando suas falhas e os sofrimentos que ele pode gerar desnecessariamente. 
Miss Tacuarembó também ironiza o sonho norte-americano de ser famosa, casada e com filhos. Aquele jeito de viver estadunidense todo. Escracha que não basta ser protagonista de um longa-metragem para se conseguir o quer, mas faz isso de uma maneira positiva e otimista. 
Bom, um filme cheio de referências que vale a pena ser assistido por todas as pessoas, até por aquelas que talvez não gostem. É uma estética dinâmica e diferente do que a gente costuma encontrar por ai. E uma história muito bem construída e muito bem trabalhada que se encaixa perfeitamente com a proposta visual. 
Realmente gostei, espero que mais gente assista e goste também.
Boa noite!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

7 cajas (Paraguay, 2012)

Filme de ação muito bem elaborado. Cheio de movimentos de câmera e ângulos inovadores. Aproveita bastante a versatilidade, o tamanho reduzido e a leveza das câmeras digitais, criando um ritmo rápido e dinâmico muito bom. É daqueles filmes que te deixam ansiosa pela próxima cena, deixando sempre uma atmosfera de curiosidade e uma leve agonia.
Esse foi meu primeiro contato com o cinema paraguaio e foi incrível. Achei realmente muito bom, cheio daqueles detalhes que dão um calorzinho bom no coração de cinéfila ao assistir. E olha que eu não curto muito filmes de ação. 


O filme foi dirigido por Juan Carlos Maneglia e Tana Schémbori, com roteiro de Maneglia. Vale destacar também a direção de fotografia, de Richard Careaga. As atuações são excelentes. Celso Franco vive o protagonista, Victor, um jovem que tem pouco dinheiro, quer ser famoso e quer um celular com câmera. Para isso, ele aceita carregar sete caixas, sem saber o que há dentro delas. A partir dai se desenrolam muitas histórias paralelas que têm as caixas como elo de ligação. Outra atuação muito boa é a de Lali Gonzales, no papel de Liz, uma amiga de Victor que o ajuda a resolver todos os problemas que vieram junto com as caixas. 


Eu fiquei encantada por esse filme logo na introdução. A cena de abertura é em stop motion e já adianta a dinâmica e o ritmo rápidos que seguem. Escolhi esse filme hoje principalmente porque ele é um filme curto, tem uma hora e 45 minutos. Apesar de ser curto, muita coisa acontece nesse tempo e, mesmo assim, o filme não fica cansativo em momento algum. Um filme bem empolgante e animador, foi muito bom ter escolhido esse para hoje, tive prova de espanhol e é sempre bom dar uma relaxada e fazer algo prazeroso antes de provas. Assistir esse filme foi muito prazeroso pra mim, me ajudar a ficar mais relaxada e calma na hora da prova.
Também gostei muito de ter conseguido um filme de um país diferente. Durante o fim de semana vou procurar outros para semana que vem. 

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Biutiful (México, 2010)

Na verdade, já quase no meio do filme, percebi que ele se passa na Espanha, mas como não tive tempo de ver hoje, vou falar sobre ele mesmo assim. Em todos os lugares que procurei sobre esse filme, falam que é uma produção mexicana mesmo, mas a história acontece em Barcelona, na Espanha. Escolhi assistir esse hoje porque tem esse filme no Netflix e eu estava um pouco sem tempo para procurar outros.


O filme é dirigido por Alejandro Gonzáles Iñarritu. É sobre um homem chamado Uxubal (Javier Bardem) que tem a custódia de seus dois filhos e vive separado da esposa. Uxubal descobre que tem câncer e teme pelo futuro de seus filhos, já que ele é órfão. Uxubal não pode contar com a mãe das crianças pois ela sofre de transtorno bipolar e alcoolismo, além disso, ele não tem muitos amigos e ganha dinheiro fazendo alguns trabalhos ilegais.
O filme também tem bastante referencia a espiritualidade. Fala sobre aceitação da morte e sobre resolver pendências. Acho que esse lado da personagem de Bardem poderia ter sido mais explorada.


Sinceramente, não gostei muito desse filme. Me decepcionei quando vi que ele não se passava na América Latina e, depois disso, acabei me dispersando um pouco. Some a isso o fato de que o filme tem mais de suas horas de duração e imagine a minha agonia enquanto assistia.
Mesmo assim, gostei bastante da fotografia e dos movimentos de câmera. A câmera é sempre ágil e dá um ritmo bom para o filme.
Não acho que o filme seja ruim, admito que hoje eu não estava no meu melhor estado para assistir um filme tão longo e introspectivo. E também broxei demais com a história da Espanha. É um filme que merece uma segunda chance, mas por enquanto só quero saber dos filmes hermanos da América Latina mesmo. Fica para depois.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

El pasado (Argentina, 2007)

Na verdade, essa é uma co-produção Argentina-Brasil, mas como todos os diálogos são em espanhol e a parte que se passa no Brasil é bem pouca, achei que valeria pra cá. O filme conta a história de Rimini, que se divorcia de Sofia depois de 12 anos e começa a fugir dela, ignorá-la. Enquanto isso, Sofia insiste em procurá-lo para dividir as fotos de casal dos dois entre eles, para que possam seguir em frente dividindo as lembranças, e não guardando tudo sozinha.


O filme é de Hector Babenco, argentino radicado no Brasil, e tem Gael García Bernal e Analía Couceyro no elenco. Engraçado que o primeiro ator repetido aqui foi o Bernal e não o Ricardo Darín. Bom, não tenho muito o que falar sobre esse filme, talvez ainda não tenha absorvido completamente, mas talvez eu simplesmente não tenha captado bem. É um filme que trata de memórias/lembranças, mas também de encarar o passado e sobre aceitar términos (tanto de relações, como de fases da vida, etc.). 


O filme é um pouco longo, não chega a ser cansativo, mas dá para perceber que é demorado. Não é daqueles filmes longos que passam rápido, uma característica que eu gosto bastante. Senti falta de explorarem melhor a personagem de Couceyro, Sofia. Depois do divórcio, ela só aparece quando tenta se comunicar com Rimini, não sabemos o que ela faz, como está lidando. Podemos imaginar pelas reações que ela tem ao se encontrar com Rimini, mas não sabemos realmente. Isso incomoda um pouco porque parece que só a vida dele continuou após o término, mas talvez seja justamente essa a intenção ao omitir essas coisas. Se foi mesmo a intenção, foi bem sucedida. Mas continua a me incomodar o esterótipo de mulher emocional e presa que não consegue seguir em frente. 
Enfim, o filme parece muito mais expor a fuga, mostrar como Rimini corre do passado e tem medo de encarar a separação. Também fala um pouco sobre lembranças e perda de memória, mas não se aprofunda muito nisso.

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

El hombre de al lado (Argentina, 2009)

Hoje assisti El hombre de al lado, dirigida por Mariano Cohn e Gastón Duprat. É um filme interessante, se passa praticamente todo no mesmo lugar: a Casa Curutchet, uma casa em La Plata, na província de Buenos Aires, famosa por sua arquitetura.


Leonardo, vivido por Rafael Spregelburd, mora nessa casa com a família, um dia o vizinho Víctor, Daniel Aráoz, decide abrir uma janela, mas essa janela é virada para a casa de Leonardo. A partir dai começa uma briga entre os vizinhos orgulhosos e cabeça-dura. O filme é uma comédia com algumas pitadas de drama que dão mais emoção e quebram a monotonia da história.


O filme se destaca pela atuação da dupla principal. Aráoz encarna muito bem sua personagem, deixando-a caricata, porém sem muito exagero. Para mim, o filme peca ao não explorar mais a fundo a relação de Leonardo com a filha, por exemplo.
Outra coisa que reparei é que o filme acelera seu ritmo ao se aproximar do final. O enredo todo é bem construído, as personagens são apresentadas e muito bem caracterizadas. Só fiquei com a impressão de que o trabalho primoroso na introdução e apresentação não se manteve nas cenas finais. A última parte do filme é corrida, não chega a ficar confusa, mas poderia ter sido mais demorada, enquanto a primeira parte ficou muito explicativa e repetitiva e poderia ter sido um pouco mais curta.


Essa última imagem é a fachada da Casa Curutchet. É uma construção muito bela, com muitas portas e paredes de vidro, passa uma ideia de muita elegância e riqueza, mas não vemos a mesma elegância em Leonardo, que a habita. Essa contradição é interessante já que Víctor vive numa casa (ou apartamento?) muito menor e menos elegante, porém ele é muito mais educado e respeitoso que Leonardo.
Bom, não achei nada de muito genial nesse filme, é bom, interessante e divertido, mas achei um pouco cansativo principalmente pelo ritmo, como falei ali em cima. Estão acabando os filmes que eu tenho para assistir e agora sobraram muitos argentinos. Não queria ficar muito presa a um só país, gostaria muito de sugestões de filmes de países que não coloquei aqui ainda. Obrigada!

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Y tu mamá también (México, 2001)

E Sua Mãe Também é um filme do Mexicano Alfonso Cuarón, que ficou bem falado recentemente pelo seu filme Gravidade. Eu, particularmente, achei E Sua Mãe Também muito melhor em termos dramáticos, conta a história de um triângulo afetivo formado por dois amigos de infância mexicanos e uma mulher espanhola. O roteiro é muito completo, original e sem pontas sobrando.


O trio de protagonistas conta com os atores Gael García Bernal, Diego Luna e a espanhola Maribel Verdú. Mesmo contracenando com Bernal, que é um ator maravilhoso, Verdú se destaca e rouba para ela toda atenção na cena. É uma atriz excelente e ficou incrível no papel da estrangeira Luisa. 
O filme é bem direto, gostei muito das cenas de sexo, que se encaixam no filme e não forçam a barra. São cenas orgânicas e muito lindas. As cenas de sexo nesse filme mostram as mulheres como seres sexuais e com desejos, sem endeusar ou santificar as mulheres, também sem tratá-las como se fossem seres passovos, dependetes da vontade dos homens. Isso me agradou bastante. Luisa está sepre no poder e é ela quem toma as decisões a respeito da própria sexualidade. Além dela, as garotas do começo do filme também mostram bastante independência e conhecimento sexual. Sério, gostei muito. Triste precisar de um homem para mostrar isso sem ser desrespeitado, mas isso é outra discussão.
Outra coisa legal desse filme é que os sobrenomes remetem a personagens históricos do México: a personagem de Gael García Bernal se chama Julio Zapata (referência a Emiliano Zapata, símbolo da revolução mexicana), já a personagem de Maribel Verdú, a estrangeira que altera o curso natural dos acontecimentos, chama-se Luisa Cortés, fazendo referência ao espanhol que se apropriou das terras mexicanas. 


O desfecho do filme é avassaladoramente real, muito plausível de acontecer. Talvez por isso role um certo estranhamento de ver um final assim no cinema, tão diferente do "final feliz" padrão. Mesmo assim o final é encantador, e eu achei até empolgante, de certa forma. Finais mais parecidos com a realidade me encantam mais, parece que me fazem perceber melhor minhas possibilidades verdadeiras. 
Foi bom ter visto um filme mexicano. Já estava mesmo querendo quebrar o eixo Argentina-Peru que eu criei aqui no blog e essa visão mais distante e diferente me animou bastante. Um filme encantador daqueles que te arrancam um sorriso de satisfação quando sobem os créditos. Fiquei feliz de ver e me deu um gás a mais para os próximos. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

El nido vacio (Argentina, 2008)

Esse filme já estava na minha lista há muito tempo, desde que seu roteirista e diretor, Daniel Burman, deu uma oficina de roteiro na UnB, já há alguns semestres. El nido vacio é daqueles filmes que você percebe que foram pensados cinematograficamente, que foram escritos para o cinema. A história é um ciclo perfeito e tem um desfecho sutilmente otimista. 

O estilo do filme me lembrou muito o de Contracorrente, apesar de serem propostas diferentes, os recursos estéticos são parecidos. Achei esse filme muito bem construído, mostra o drama familiar, mas também expõe muito bem o drama individual do protagonista. 
Gostei muito, está no topo da lista até agora (junto com o Contracorrente). Me despertou muito a vontade de ver outros filmes do Burman, além do roteiro excelente, a arte e as atuações também são muito boas. Recomendo.

Contracorriente (Perú, 2009)

Hoje assisti Contracorrente, é peruano com co-produção colombiana, se não me engano. Muito bom, se passa numa vila de pescadores e tem paisagens incríveis. Escrito e dirigido por Javier Fuentes-Leon, esse filme lida com os sentimentos de forma muito humana. É muito sensível e primoroso nos detalhes, isso deixa a experiência de assisti-lo muito prazerosa. 


Miguel é um pescador casado,prestes a ser pai, que tem um caso com Santiago, um homem de fora da Vila e mal visto por todos. O filme toca assuntos polêmicos como a aceitação da própria sexualidade de maneira natural e bastante fluida. O ritmo do filme é preciso, mantém a espectadora atenta e sempre curiosa, aguardando pela próxima cena, para saber qual será o desfecho da história. 
Além disso, esse filme ilustra muito bem o realismo fantástico. Usa recursos muito simples para expressar o "sobrenatural", consegue ser entendio e é esteticamente bem resolvido sem precisar apelar para efeitos especiais espalhafatosos.


Enfim, demorei pra postar hoje, mas ainda não dormi então ta valendo. Só pra concluir, dos filmes que vi até agora, esse foi o que mais gostei. É intrigante, tem uma crítica social pertinente (talvez um pouco amena, mas que funciona justamente porque a homossexualidade, em muitos lugares, ainda é tratada como tabu e não é muito conversada - como no filme). Do que tenho reparado até agora no cinema latino americano em geral, e nesse filme também é que não existe um herói perfeito, todas as personagens, mesmo as protagonistas, têm dúvidas, têm problemas, têm conflitos morais e de personalidade. Eu acho isso muito incrível, acho que da mais realismo para o filme e acaba fazendo com que as espectadoras se identifiquem muito mais.
Hasta mañana!

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Un cuento chino (Argentina, 2011)

Acabei repetindo a Argentina, mas não tem problema, Um Conto Chinês é um filme divertido, carregado de humor argentino. O filme foi dirigido por Sbastián Borensztein e é protagonizado por Ricardo Darín. Acho que a expressão "cuento chino" equivale a nossa "história de pescador" do Brasil, o que (se realmente for isso) é um trocadilho inteligente e que encaixa perfeitamente como título do filme. 


O filme conta a história de Roberto, um homem solitário, sisudo, bastante fechado que vive emburrado, mas que também é muito respeitoso. Roberto acaba se envolvendo e  hospedando um chinês que não fala nada de espanhol. Roberto tenta ajudar o chinês a encontrar um tio para poder voltar a sua vida solitária. 
Isso gera algumas situações divertidas e também faz com que Roberto repense alguns de seus modos de viver. O filme é muito interessante e prende a atenção logo de início. 


Eu conheci o Ricardo Darín de filmes de drama e de suspense, a primeira atuação em comédia dele que vi foi em Relatos Selvagens. E agora essa foi a segunda. Acho que o Darín é um ótimo ator e faz muito bem comédias, gostaria de conhecer um pouco mais. Não deve ser muito difícil encontrar mais comédias com ele, na verdade, ele faz muitos filmes.
Bom, vou tentar não repetir países, mas essa primeira semana ainda vai ser um pouco difícil. Conheço poucos filmes do Chile, Uruguai, Venezuela, Bolívia, Colômbia, Equador... Enfim, se você conhecer qualquer um (nem precisa ser bom), pode me falar que eu vou tentar variar mais nas próximas vezes. 

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

La teta asustada (Perú, 2009)

A Teta Assustada é um filme peruano escrito e dirigido por Claudia Llosa que eu já queria ver há um tempo. Conta a história de Fausta, uma jovem que possui uma doença chamada "teta assustada", que é transmitida pelo medo da mãe através do leite. 


O filme é envolvente, prende bastante a atenção. O ritmo do filme conduz nossa curiosidade, revelando aos poucos o mistérios de Fausta, de sua mãe e de sua aldeia. Podemos compreender a protagonista e quanto mais detalhes de sua personalidade são mostrados, mais nos identificamos com sua história. 
Eu nunca tinha assistido a um filme peruano, conheço pouca coisa da produção cinematográfica de lá. Gostei muito desse, mesmo sendo um pouco parado (isso não é defeito para um filme, mas como assisto de manhã preferia alguma coisa "despertante").
Achei interessante ver um filme que não fosse da Argentina, a maior parte do cinema latino que conheço é de lá, tirando o Brasil. Os traços das atrizes são bem marcados e dá pra perceber um pouco a diferença no jeito de falar. 


Bom, ainda estou um pouco enferrujada na escrita e me acostumando com a rotina nova. Hoje não tenho tanto a dizer sobre esse filme, recomendo a todos, mas ainda estou processando algumas coisas. É um filme muito feminino e também muito tocante. Trata de assuntos fortes e pesados de uma maneira muito delicada e explícita. Gostei. 
Para amanhã estou pensando em uma comédia, mas não queria repetir a Argentina e não conheço comédias de outros países. Alguma sugestão?

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

La mujer sin cabeza (Argentina, 2007)

O primeiro filme que assisti foi A Mulher Sem Cabeça, da diretora Lucrecia Martel. Foi um filme que me sugeriram, não conhecia a história e assisti o filme sem pesquisar nada sobre. Também não conhecia Martel e fiquei com vontade de assistir mais filmes dela, apesar desse em específico não ter me prendido muito.


O filme é muito realista, bastante cru. A atriz María Onetto está maravilhosa no filme, consegue retratar o estado de choque e faz transparecer para a espectadora o confuso misto de sentimentos vividos pela protagonista Verô. 
O som me chamou a atenção. Muitas cenas se passam dentro do carro e o trabalho é bastante detalhista nas variações acústicas, como por exemplo quando abrem ou fecham a janela. Também é fácil perceber a mudança de ambiente no som quando as personagens estão na piscina, por exemplo.
filme num geral é um pouco enfadonho. Tirando o acidente, os acontecimentos são todos rotineiros: Verô visita a mãe doente, visita a irmã, prepara café,  mas só há diálogos curtos e nada fora da rotina acontece. Isso acaba cansando a espectadora depois de um certo tempo.
Pessoalmente, gostei muito de ver um filme com tantas cenas em trânsito dentro do carro. Sou de Brasília, aqui, infelizmente na maior parte da minha vida, a principal forma de locomoção  foi o carro. Sempre imaginei como retrataria isso esteticamente em filme, esse jeito específico de ver a cidade quando se está dirigindo, prestando atenção no trânsito e na paisagem. De todos as cenas em carros que já fiz, Martel foi quem melhor se aproximou desse ponto de vista de quem cresceu vendo a as coisas pela escala automobilística.


Gostei desse filme, mas foi o menos empolgante dos filmes latino americanos que já assisti, ele é esteticamente muito bem resolvido, mas falta um enredo mais envolvente. Pessoalmente, esperava algo mais empolgante para começar, mas não diria que foi uma decepção. 
Enfim, primeiro filme. Ainda to meio enferrujada na escrita, mas acredito que vou conseguir manter esse projeto até o final e escrever todo dia. Aceito sugestões de filmes.

Até amanhã.

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Introdução

Meu nome é Moema Miranda, sou brasileira. Desde que comecei a viajar pela América Latina, percebo que no Brasil conhecemos muito pouco sobre nossos vizinhos. Sabemos mais das culturas do norte que sobre nossos países hermanos. Aprendemos a falar inglês antes de aprender espanhol. Ignoramos a proximidade física e preferimos aprender sobre o mais distante e mais distinto. Adaptamos nossa cultura a modos de vida que não condizem com a geografia de onde vivemos.
Em meio a essas reflexões decidi que eu deveria fazer algo, conhecer melhor o meu redor, o que está perto de mim. Valorizar o que é produzido por aqui. E, para mim, o primeiro passo é estudar espanhol.

Também sou formada em Audiovisual (e obviamente amante do cinema) e me intriga muito o fato de as salas de exibição no Brasil passarem muito mais filmes estadunidenses que latinos. Filmes brasileiros aqui entram no circuito na marra, e olhe lá, por lei. É pouquíssima visibilidade para a produção nacional, para a produção latino americana a visibilidade é ainda menor. Sem contar que uma grande parte do público tem preconceito artístico com filmes latinos, incluindo os brasileiros.

Pensando nessas questões, me matriculei em um curso de espanhol no verão e decidi assistir um filme latino americano por dia, sempre antes das aulas. Assim, além de fixar melhor a língua, posso estudar o cinema daqui e buscar referências mais próximas a mim, a minha cultura. A idéia de escrever um blog surgiu só depois. O blog vai ajudar a manter o ritmo e escrever sobre os filmes vai ser uma boa maneira de me manter atualizada e estudando cinema.

A idéia inicial de fazer um blog sobre isso veio, na verdade, do meu irmão, Raul, que agora mora na Argentina e percebeu também o quanto nós, brasileiros, somos negligentes em relação às culturas dos nossos vizinhos. Aproveitei a ideia e aqui estou, criando esse blog. Meu curso começa na segunda-feira e tirando os finais de semana todos os dias tem aula. Um filme por dia até o final do curso de verão. E depois, nos semestres regulares, farei um ou dois filmes por semana.

Espero que gostem e acompanhem. Sugiram filmes, comentem e critiquem.