sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Fresa y chocolate (Cuba, 1993)

Morango e Chocolate é um filme cubano que, como já era de se esperar, eu gostei bastante. Foi baseado no conto El Lobo, el bosque y el hombre, de Senel Paz, e dirigido por Tomás Gutiérrez Alea e Juan Carlos Tabío. 
Eu tenho várias observações sobre esse filme, mas fui furtada e ainda estou um pouco tensa com o negócio todo. Levaram minha bolsa com a carteira e o celular, não tinha muito dinheiro, mas perdi todos os meus documentos, então minha cabeça não está muito boa agora, mas vou cumprir a proposta de falar sobre um filme por dia mesmo assim. 


O protagonista do filme é David, um jovem comunista apaixonado por uma mulher que se casa com outro. Ao sair do casamento, ele é abordado por Diego, um jovem homossexual que tem muitas críticas ao governo de Fidel Castro e se sente atraído por David. Inicialmente, David não quer conversa com Diego, mas eles continuam se encontrando porque David está disposto a fazer com que Diego também vire um revolucionário comunista.
O filme é, antes de tudo, sobre amizade. Os dois protagonistas são completamente diferentes, mas se respeitam bastante e conversam sem ofender um ao outro. Em meio às conversas, cresce uma amizade sincera entre os dois. 


O que prende a espectadora a esse filme ão os diálogos, muito bem elaborados e inteligentes. Eles expõe os diferentes pontos de vista e mostram como o diálogo, mesmo com discordâncias, ajuda a amadurecer e embasar opiniões.
Também gostaria de destacar a fotografia, de Mario García Joya, que com movimentos de câmera muito bem pensados, cria um ambiente mais amplo e dinâmico para as cenas. A câmera acompanha os diálogos como se também participasse deles e, ao mesmo tempo, apresenta o cenário a espectadora, mostrando objetos de cena simbólicos e ações importantes, além enfatizar de a movimentação dos atores dentro de cena. É uma fotografia orgânica e fluida que combina perfeitamente com a proposta do filme. 


Quanto ao tema da homossexualidade, bom, eu não posso falar sobre como foi a recepção do filme porque não li sobre isso ainda (encontrei esse artigo e essa entrevista, vou ler assim que resolver o negócio dos meus documentos), mas imagino que tenha sido bastante polêmica. As relações homo afetivas com certeza não são o enfoque do filme, tanto que nem são mostradas, mas Diego é assumidamente homossexual que não tem medo de dizer isso. Pelo que consegui entender, até o lançamento desse longa, não havia outros filmes cubanos que abordassem a homossexualidade. 
É um filme extremamente maduro nesse sentido. Gostei muito de ver o tema ser tratado com naturalidade, sem exageros e sem apelar para o humor barato ao qual muitas vezes associam os homossexuais. Um filme simples e muito direto, que gera muitas reflexões. Provavelmente assistirei de novo, é um daqueles longas que precisam ser assistidos mais de uma vez.

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