terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Miss Tacurembó (Uruguay, 2010)

Estava devendo assistir esse filme há uns 5 anos, quando um amigo me recomendou. E hoje, depois de ter visto, me arrependo muito de ter demorado tanto a assistir. O lado bom é que posso falar sobre ele aqui. Antes de começar, quero pedir desculpas porque esse post vai atrasar um dia. Comecei a escrever faltando 5 minutos para meia noite, mas não dormi, tá valendo. 
Miss Tacuarembó é uma comédia musical uruguaia com co-produção argentina (e um dedinho da Espanha). É o primeiro longa-metragem do diretor Martín Sastre, que além de cinema também faz videoarte, esculturas... Conta a história de Natalia, uma menina que gosta de coreografar e dançar com o amigo Carlos. Ela sonha em deixar Tacurembó, uma cidade no norte do Uruguai, para ser cantora e famosa. 


Tenho tantas coisas para falar sobre esse filme que até fica difícil começar, mas vamos lá. Esse certamente é daqueles filmes que quem assiste ou ama ou odeia. Tem uma estética exagerada de anos 80. Incluindo um figurino sinestésico e colorido com sabor de infância e intervenções sonoras e visuais recorrentes. Eu fui uma das pessoas que amou. 
Vários planos me encantaram muito pela fotografia. Aliás, a fotografia foi o que me conquistou (sempre é). Uma cena em especial me chamou muita atenção: quando Natalia e Carlos estão deitados embaixo de um globo de concreto, conversando sobre sair de Tacurembó, e Natalia diz que um dia eles terão o mundo a seus pés. A brincadeira fotográfica feita nessa cena é incrível. E esse padrão é mantido durante todo o filme. O diretor de fotografia é Pedro Luque e com certeza merece ser destacado aqui. 


Também gostei muito das cenas em que Natalia, ainda criança, entra na igreja para brigar com Jesus por ele não atender os pedidos dela. Achei, durante todo o longa, que havia uma crítica silenciosa às instituições religiosas, principalmente a católica. Como se houvesse uma mensagem silenciosa sobre como o fanatismo religioso pode ser prejudicial para as pessoas, principalmente para as crianças. Isso deixa o filme muito interessante, porque obriga as espectadoras a mergulharem num universo religioso, para desconstruí-lo por dentro, mostrando suas falhas e os sofrimentos que ele pode gerar desnecessariamente. 
Miss Tacuarembó também ironiza o sonho norte-americano de ser famosa, casada e com filhos. Aquele jeito de viver estadunidense todo. Escracha que não basta ser protagonista de um longa-metragem para se conseguir o quer, mas faz isso de uma maneira positiva e otimista. 
Bom, um filme cheio de referências que vale a pena ser assistido por todas as pessoas, até por aquelas que talvez não gostem. É uma estética dinâmica e diferente do que a gente costuma encontrar por ai. E uma história muito bem construída e muito bem trabalhada que se encaixa perfeitamente com a proposta visual. 
Realmente gostei, espero que mais gente assista e goste também.
Boa noite!

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