segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Y tu mamá también (México, 2001)

E Sua Mãe Também é um filme do Mexicano Alfonso Cuarón, que ficou bem falado recentemente pelo seu filme Gravidade. Eu, particularmente, achei E Sua Mãe Também muito melhor em termos dramáticos, conta a história de um triângulo afetivo formado por dois amigos de infância mexicanos e uma mulher espanhola. O roteiro é muito completo, original e sem pontas sobrando.


O trio de protagonistas conta com os atores Gael García Bernal, Diego Luna e a espanhola Maribel Verdú. Mesmo contracenando com Bernal, que é um ator maravilhoso, Verdú se destaca e rouba para ela toda atenção na cena. É uma atriz excelente e ficou incrível no papel da estrangeira Luisa. 
O filme é bem direto, gostei muito das cenas de sexo, que se encaixam no filme e não forçam a barra. São cenas orgânicas e muito lindas. As cenas de sexo nesse filme mostram as mulheres como seres sexuais e com desejos, sem endeusar ou santificar as mulheres, também sem tratá-las como se fossem seres passovos, dependetes da vontade dos homens. Isso me agradou bastante. Luisa está sepre no poder e é ela quem toma as decisões a respeito da própria sexualidade. Além dela, as garotas do começo do filme também mostram bastante independência e conhecimento sexual. Sério, gostei muito. Triste precisar de um homem para mostrar isso sem ser desrespeitado, mas isso é outra discussão.
Outra coisa legal desse filme é que os sobrenomes remetem a personagens históricos do México: a personagem de Gael García Bernal se chama Julio Zapata (referência a Emiliano Zapata, símbolo da revolução mexicana), já a personagem de Maribel Verdú, a estrangeira que altera o curso natural dos acontecimentos, chama-se Luisa Cortés, fazendo referência ao espanhol que se apropriou das terras mexicanas. 


O desfecho do filme é avassaladoramente real, muito plausível de acontecer. Talvez por isso role um certo estranhamento de ver um final assim no cinema, tão diferente do "final feliz" padrão. Mesmo assim o final é encantador, e eu achei até empolgante, de certa forma. Finais mais parecidos com a realidade me encantam mais, parece que me fazem perceber melhor minhas possibilidades verdadeiras. 
Foi bom ter visto um filme mexicano. Já estava mesmo querendo quebrar o eixo Argentina-Peru que eu criei aqui no blog e essa visão mais distante e diferente me animou bastante. Um filme encantador daqueles que te arrancam um sorriso de satisfação quando sobem os créditos. Fiquei feliz de ver e me deu um gás a mais para os próximos. 

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